Domingo, 31 de Maio de 2020

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Armando Burd Próxima atração: a guerra de versões

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Delegado Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da Polícia. Sua saída levou a um choque e mudança no Ministério da Justiça. (Foto: Reprodução)

Nunca a saída de um ministro da Justiça foi tão tumultuada e agressiva na História da República, como a que ocorreu ontem. O foco dos ataques de Sérgio Moro, pela manhã, concentrou-se em alegada interferência política de Jair Bolsonaro na Polícia Federal com interesse pessoal. Um fato grave.

No final da tarde, veio o contra-ataque. Sobre o diretor-geral Maurício Valeixo, objeto da discórdia, o presidente disse que Moro aceitaria a substituição, depois de ser indicado para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Fato também grave.

Dúvidas

A primeira consequência da polêmica foi a iniciativa do procurador-geral da República, Augusto Aras. Pediu autorização do Supremo Tribunal Federal para abrir inquérito sobre o que foi narrado por Moro.

Começa a temporada de dúvidas com torcidas organizadas, antiga tradição da política brasileira. Se não aparecer uma ou mais gravações para comprovar as declarações, vamos acompanhar uma guerra de versões e desmentidos. Até que a febre baixe com o surgimento de novo atrito no governo.

Bons de briga

As perguntas que surgirão:

1) Existe algum órgão com o qual o presidente não possa ter ligação direta? Juristas de oposição pesquisam para responder.

2) Mesmo que o próximo diretor-geral seja conhecido do presidente, determinará alguma alteração nas investigações? A Polícia Federal é uma das mais competentes, sérias e habilitadas do mundo. Não se pode admitir que, em algum momento, sofrerá interferência.

Não deu

Assessores mais próximos de Bolsonaro tentaram contornar a crise, negociando a ida de Moro para alguma embaixada. Seria a forma de evitar a abertura de uma cratera. Quando perceberam que havia acúmulo de pequenos e médios atritos e o caso Valeixo era o motivo escolhido pelo presidente para forçar a saída do ministro, desistiram.

Correm atrás

Dirigentes de partidos sonham com a filiação de Moro e deixam todas as portas abertas para a eleição de 2022, começando pela candidatura à Presidência da República.

Pedra no sapato

Adversários de Moro irão à vingança, cobrando o fato de ter pedido ao presidente Bolsonaro amparo para sua família, na hipótese de sofrer atentado. Dirão que é ilegalidade: não há pensão ou algo similar para quem assume cargo em comissão.

Carga pesada

As milícias digitais da direita e da esquerda, que controlam perfis falsos, receberam ontem munição que não esperavam tão cedo. A ordem, a partir de segunda-feira, será dedo no gatilho, ou melhor, no teclado do computador.

Peneira nas indicações

Bolsonaro poderá escolher um militar para a vaga do Ministério da Justiça. Tem sido a regra das substituições. O novo titular deverá ler um fascículo sobre vaidade e relações no poder.

Mais parece um médico

De máscara, o ministro Paulo Guedes saiu direto do seu gabinete, também chamado de laboratório, para acompanhar a manifestação de Bolsonaro no Palácio do Planalto. Passa o dia controlando os sinais vitais da Economia, com atenção às áreas de energia, transportes e alimentação.

Problemão

Para pagar as despesas com a pandemia, que vão muito além das disponibilidades no orçamento, o governo federal tem emitido títulos públicos. Esta semana, porém, acendeu a luz amarela: o secretário nacional do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, declarou estar difícil vender os papéis em função da taxa de juros que anda baixa.

Negócio imperdível

Nas décadas de 1980 e 1990, bastava a um governante pensar em dinheiro que se materializava à sua frente. O motivo: os bancos norte-americanos emprestavam altas quantias a 7,5 por cento de juros ao ano. Com o bolso cheio, o passo seguinte era comprar títulos da dívida pública brasileira que rendiam 50 por cento ao ano.

Alguém precisa pagar

Os governantes, com dinheiro fácil à mão, nunca pensaram que a dívida em títulos públicos subiria às alturas, assim como a conta de juros.

Sem que ninguém esperasse

A tradicional tensão política de agosto foi antecipada para abril.

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