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Brasil PT negocia apoio nas eleições municipais em troca de voto

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Deputados governistas afirmaram que estão oferecendo apoio na disputa para prefeitos e vereadores. (foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)

As eleições municipais deste ano entraram no cardápio de negociação do governo para conseguir votos contra o
impeachment da presidente Dilma Rousseff. Deputados governistas confirmaram que estão oferecendo apoio na disputa municipal deste ano, que irá escolher prefeitos e vereadores, em troca de votos. Ao menos quatro deputados teriam desistido de votar contra o impeachment em troca do apoio eleitoral. Os petistas não revelam os nomes para evitar que o grupo pró-impeachment faça contrapropostas.

A estratégia dos governistas, contudo, nem sempre é bem-sucedida. Um deputado petista admite que perdeu o voto de um colega do PDT por não ter como garantir aliança com o PT na disputa municipal. Seria o deputado Hissa Abrahão (PDT-AM), candidato à prefeitura de Manaus.

A eleição nacional de 2018 também entrou no pacote das negociações. O deputado Waldir Maranhão (PP-MA) desistiu de votar a favor do impeachment depois de um acordo para ser o candidato ao Senado na chapa do governador do Estado, Flávio Dino (PC do B).

Num cenário em que os votos mudam a cada momento, a estratégia dos governistas também inclui a escalação de deputados para vigiar os parlamentares que mudaram de posição. O trabalho é feito em equipe. Enquanto um deputado tem a função de conquistar o voto, o outro trabalha para evitar que ele seja abordado pela oposição. Segundo um governista, o trabalho deste último é ficar 24 horas colado no novo aliado.

Do lado da oposição, as tratativas pró-impeachment também envolveram negociações eleitorais. Os pré-candidatos do PSD às prefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo, e de Belo Horizonte, Délio Malheiros, só assinaram a ficha do partido sob a condição de a bancada na Câmara não fechar com Dilma. A reportagem apurou que aliados dos dois trabalharam nos últimos dias por adesões à deposição da petista.

Conforme o placar do jornal “O Estado de SPaulo”, dos 37 deputados do partido, 28 devem votar a favor do processo de afastamento e oito contra, a maioria do Nordeste, região que mais tem apoiado o governo do PT. Um está indeciso.

Na sexta-feira, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, entregou o cargo de ministro das Cidades após a maioria da bancada se posicionar contra Dilma. (AE)

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