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Mundo Putin não descarta a possibilidade de assinar um acordo de paz com a Ucrânia

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O presidente russo, Vladimir Putin, ‌havia dito anteriormente que Zelenskiy não é um líder legítimo. (Foto: Reprodução)

O presidente russo, Vladimir Putin, ‌disse nessa quinta-feira que (4) não descarta ‌a possibilidade de assinar um acordo de paz com o presidente ucraniano, Volodymyr ‌Zelenskiy, se for possível chegar a um acordo. Putin havia dito anteriormente que Zelenskiy não é um líder legítimo porque permaneceu no cargo após o término de seu mandato eleito.

A lei ‌ucraniana proíbe a realização de novas eleições sob a lei marcial, que foi imposta após a invasão russa de 2022. Putin disse a jornalistas estrangeiros em São Petersburgo que, se chegasse a um acordo de paz, a Rússia assinaria um acordo com representantes legítimos da Ucrânia, talvez “até mesmo com Zelenskiy”.

Encontro presencial

Por sua vez, o presidente ucraniano propôs nessa quinta-feira um encontro presencial com Vladimir Putin em uma rara carta aberta ao líder russo, afirmando também estar pronto para um “cessar-fogo total”. Em resposta, o Kremlin disse que Zelensky pode se encontrar com Vladimir Putin “a qualquer momento” em Moscou.

“A Ucrânia propõe o fim desta guerra por meio de um diálogo direto entre nós e você. Proponho um encontro”, disse Zelensky na carta. “A Ucrânia está pronta para um cessar-fogo total durante o período de negociações”.

“Zelensky pode vir a Moscou a qualquer momento”, reagiu o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela mídia estatal russa, acrescentando que o presidente russo ainda não havia visto a carta.

Em declarações a um grupo de jornalistas estrangeiros em sua cidade natal, Putin afirmou nesta quinta-feira estar sempre disposto a negociar com Kiev uma saída para a guerra, com base no que foi discutido “durante o encontro com o presidente (americano Donald) Trump” em Anchorage, em agosto de 2025.

Moscou exige de Kiev concessões políticas e territoriais, em particular uma retirada completa da região de Donetsk, que faz parte do Donbass. O governo ucraniano se recusa a aceitar essas condições por considerá-las uma capitulação.

Um acordo não excluiria, segundo Putin, que Moscou controle completamente o Donbass, bacia mineradora no leste da Ucrânia que atualmente está parcialmente sob controle russo.

“Uma coisa não exclui a outra”, afirmou aos jornalistas.

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que “nenhuma das duas partes esteve disposta a fazer as concessões necessárias para restabelecer a paz, particularmente do lado russo”.

Donald Trump voltou à Casa Branca afirmando que encerraria a guerra rapidamente, mas desde a eclosão de um conflito no Oriente Médio após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, passou a ter outra frente de crise aberta.

“Está claro que a administração americana se vê obrigada a concentrar sua atenção nesse assunto e a tratá-lo antes de qualquer outro”, avaliou Putin nesta quinta-feira.

No terreno, os combates continuam. O líder russo assegurou que as tropas de Moscou avançam “em toda a linha de frente”.

Uma análise da AFP dos dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) mostra, no entanto, que a Ucrânia recuperou dos russos cerca de 282 km² em maio, reduzindo pelo segundo mês consecutivo a área de seu território controlada por Moscou.

Do fim de 2023 até alguns meses atrás, os russos vinham ganhando terreno. Ainda assim, apesar do recuo das Forças russas, há militares russos infiltrados na maioria das áreas onde a Ucrânia recuperou território. E Putin prevê reforçar o sistema de defesa antiaérea.

“A Rússia tem um sistema de defesa antiaérea. Sim, precisamos melhorá-lo. Sim, precisamos reforçá-lo. E faremos isso”, declarou um dia após um ataque de drones contra instalações energéticas e militares em São Petersburgo.

Putin não descartou ampliar o uso do míssil balístico hipersônico russo Oreshnik para atingir cidades ucranianas. O líder russo repetiu que esse míssil, já utilizado três vezes contra a Ucrânia, é capaz de transportar ogivas nucleares. As informações são das agências de notícias Reuters e AFP.

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