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Política Quebradeira e invasão de prédio marcaram o primeiro dia do novo ministro da Educação

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Estudantes e servidores da Universidade de Brasília protestam por mais recursos para a universidade. (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Nenhum novo ministro teve dia mais agitado que o da Educação. Menos de uma hora antes da cerimônia de posse no Palácio do Planalto, Rossieli Soares da Silva viu os gritos de alunos e servidores da UnB (Universidade de Brasília) contra cortes na educação se transformarem numa tentativa de invasão do prédio.

Manifestantes jogaram pedras, paus e qualquer outro objeto disponível na portaria do edifício. A PM reagiu com bombas de gás. A rápida praça de guerra na qual se transformou as imediações do MEC é apenas uma amostra da pressão que o novo titular da pasta sofrerá, num momento de agitação política em alta e recursos no cofre em baixa.

Será necessário o jogo de cintura do antecessor, Mendonça Filho, para não ser engolido por greves e manifestações nas universidades federais. Mendonça não contava com o apreço de reitores e demais servidores, mas tinha um certo tempo à frente no cargo para travar negociações e também interlocução direta com o Planalto.

Já Rossieli, ex-secretário de Educação do Amazonas e até então secretário de Educação Básica do MEC, terá que abrir um caminho de diálogo para tratar com as universidades federais — um setor com capacidade de amplificar suas queixas e desencadear crises na área da educação e com o qual o novo ministro pouco tem relação.

Rossieli foi escolhido por uma circunstância política. De um lado, Mendonça reagiu à tentativa do Planalto de colocar um deputado do DEM, Carlos Melles, na cadeira, num momento em que o partido lança candidato próprio ao Planalto e precisa se desconectar do governo Temer. Do outro, não podia daro o cargo a secretária-executiva, Maria Helena de Castro, que é ligada ao PSDB, embora fosse sua opção predileta do ponto de vista técnico.

Relativamente neutro nas colorações políticas em jogo, Rossieli surgiu como uma saída principalmente para continuar as políticas educacionais da educação básica. Mas terá que dormir com o barulho vindo da educação superior já no primeiro dia como ministro. Depois da tentativa de invadir o MEC, os estudantes tomaram o prédio do FNDE.

Enquanto os protestos surgirem sem uma pauta muito específica, como o de hoje, será mais um desgaste de imagem. Mas se professores e técnicos decidirem cruzar os braços, Rossieli terá pouco tempo para debelar crises e ainda encaminhar os projetos prioritários da pasta, como a Base Nacional Curricular e a reforma do ensino médio.

Crise da UnB

Os integrantes da mobilização diziam que só deixariam o espaço após o governo federal liberar recursos para tirar a UnB da pior crise financeira de sua história. Após sucessivos cortes nos repasses federais, a instituição de ensino acumulou um rombo de R$ 92 milhões.

Também condicionavam a desocupação à presença de um assessor do ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, à liberação de recursos para população indígena e a não haver represálias judiciais por causa da ocupação.

No entanto, no que depender da União, a UnB não contará com socorro financeiro tão cedo. Em entrevista durante a cerimônia de posse dos novos ministros da gestão de Michel Temer, Rossieli Soares rechaçou que tenha desassistido a maior universidade da capital do país.

“Na verdade, a universidade teve um aumento de orçamento este ano. Todo orçamento planejado para a UnB está garantido. Inclusive, o ministério já disponibilizou 60% do orçamento de custeio para este ano. Portanto, dentro daquilo que foi programado, o ministério está cumprindo tudo”, rebateu.

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