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Armando Burd Quem paga a imensa conta?

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Os partidos de oposição vão reclamar; os que sempre se beneficiaram com as portas abertas e generosas do Tesouro Nacional deverão estrilar. Incontestável, porém, é a existência do rombo de 170 bilhões e 500 milhões de reais no orçamento federal deste ano.

Um caminho é o governo aumentar a dívida total, que supera os atuais 3 trilhões de reais e pela qual paga juros astronômicos. Outro se resume à contenção de despesas, que a atual gestão buscará.

HÁ FUROS

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declara que “as contas públicas passaram a transmitir sinais inequívocos de insustentabilidade.” Aponta desequilíbrios estruturais, alguns remontando à Constituição de 1988. A Previdência, por exemplo, está a perigo.

FALTOU PREVISÃO

Como candidato à Presidência da República, Ruy Barbosa definiu em 1913: “Uma Constituição é, por assim dizer, a miniatura política da fisionomia de uma nacionalidade.”

A de 1988 garantiu direitos sem prever recursos para garanti-los.

JORRANDO DINHEIRO

Dinheiro não pode ser o único problema. O placar eletrônico Impostômetro chegou ontem a 800 bilhões de reais, total recolhido pelo governo federal desde 1º de janeiro deste ano. Acrescente-se a isso boa dose de erros, corrupção e desperdícios em gestões desastradas.

PARCIALIDADE

O site do PDT nacional dá amplo espaço para o anúncio do ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, de que “Temer vai abrir o pré-sal para os estrangeiros”. Condena a decisão, mas não dedica uma linha aos escândalos que enterraram a Petrobras.

MOEDAS DE TROCA

A 25 de maio de 1996, o governo Fernando Henrique Cardoso, para aprovar a emenda da Previdência, teve de ceder muito além da conta. Governadores do Nordeste ganharam verbas, o PPB conquistou um ministério e a bancada ruralista conseguiu mudar as regras de cobrança de suas dívidas vencidas, que superavam 7 bilhões de reais.

Em recente entrevista, Fernando Henrique avaliou: “Você não pode deixar o Legislativo montar no cangote do Executivo, porque este corcoveia. Tem que se equilibrar, senão cai.”

CAMPO ABERTO

Candidatos à Câmara Municipal de Porto Alegre vão correr atrás de 41 mil e 984 votos. Correspondem à soma obtida por três vereadores em 2012. Pedro Ruas atingiu 14 mil e 610 votos e,em 2014, elegeu-se deputado estadual; João Derly obteve 14 mil e 38 votos e passou à Câmara dos Deputados; e Guilherme Villela, que recebeu 13 mil e 336 votos, não concorrerá este ano.

É SÓ CHEGAR

Escritórios especializados em organizar e incentivar a invasão de prédios públicos precisam saber: há 2 mil imóveis do INSS espalhados pelo país que estão fechados. Basta a assessoria de um bom chaveiro.

RÁPIDAS

* A suposta interrupção da Lava Jato não se enquadra nem em conto de ficção científica.

* Interessados não conseguem trazer a Porto Alegre a cerveja com a marca Delação Premiada. Só em Curitiba o consumo supera a produção.

* Uma Secretaria não diminuiria a Cultura.

* Em um dos momentos decisivos da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill disse: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.” Os brasileiros podem repetir em relação aos banqueiros.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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