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Colunistas Serenata para Marcela!

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

“Todos estão putos com ela” assim o presidente do Senado resumiu a situação da presidenta afastada Dilma Rousseff em conversa com Sergio Machado em referencia ao STF. Aguardada com ansiedade desde o dia 23 está publicada hoje na Folha a conversa gravada por Sergio Machado com o presidente do Senado, Renan Calheiros. “Os políticos estão com medo da Lava-Jato”, disse Renan; “Aécio Neves está com medo”; “Renan queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa”.

No áudio em referência a Odebrecht o senador afirma “que vai mostrar as contas” ao que Machado respondeu; “não escapa ninguém, nenhum partido”, “Do Congresso se sobrar uns cinco ou seis é muito. Governador, nenhum”. Renan também defendeu mudanças nas leis das delações premiadas de forma a impedir que um preso se torne delator, artificio central da operação Lava Jato. Renan também ataca decisão do STF tomada ano passado, de manter uma pessoa presa após a sua segunda condenação.

Por meio de sua assessoria, o presidente do Senado informou que os “diálogos não revelam, não indicam, nem sugerem qualquer menção ou tentativa de interferir na Lava Jato ou soluções anômalas. E não seria o caso porque nada vai interferir nas investigações”. Ok!

Os diálogos – os publicados hoje e na segunda feira – falam por si só. Mesmo o brasileiro mediano alfabetizado sabe interpretar o que lê e o que ouve. A imprensa internacional também analisa de forma oposta à mídia nativa as inconfidências via diálogos entre os diretamente interessados no fim da Lava Jato. O mais é apadrinhamento.

Enquanto o pacato cidadão vai “rebolando” para manter-se, e a sua família, pagando suas contas, Eduardo Cunha, afastado do cargo de Pres. da Câmara e do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF) custa R$500 mil mensais aos cofres públicos; os dados foram levantados pelo PSOL e serão entregues à Procuradoria-Geral da República junto com pedido de suspensão de pagamento de benefícios a Cunha, garantidos por ato da Mesa Diretora. Quinhentos mil reais por mês!

Integrantes da Frente Povo Sem Medo realizaram domingo manifestações em frente à casa do presidente interino na capital São Paulo. Foram duramente reprimidos pela Policia Militar com jatos d’água e bombas de efeito moral, saindo do local. Pois ontem a noite em solidariedade aos manifestantes, um grupo de cerca 50 moradores do Alto de Pinheiros, vizinhos de Michel Temer, foi até a casa do presidente provisório para protestar.

Em ritmo de serenata entoaram: “Marcela, hoje a noite está tão bela sem o Temer por aqui”, cantavam os vizinhos em clima de serenata nos portões da mansão da família do interino. Eles entoaram versão do clássico Carinhoso, de Pixinguinha, e palavras de ordem como “Ei, Moro, o Temer mora aqui” e “Ô, Michel, sou seu vizinho, e o seu crime não é pequenininho”. A sogra de Temer foi até a janela e pediu que os vizinhos fossem embora. Pois, é!

Passeatas e manifestações contra o golpe, com milhares de participantes continuam a acorrer diariamente em todo o país sem destaque (é natural) na grande mídia. Centenas de vídeos das atividades estão disponibilizados na web. Ontem aqui em Porto Alegre, 20 mil manifestantes segundo os organizadores 3 mil segundo a Brigada fizeram caminhada pelo centro histórico, cidade baixa e Azenha, reafirmando que o Brasil não vai aceitar o golpe, que vai ter luta. Outros ocorrerão com maior ou menor participação até a moralização da pobre Pátria Brasil! A conferir!

Ignorando solenemente o clamor das ruas, Temer e sua equipe econômica apresentaram ontem no Congresso projetos com mudanças significativas na própria Constituição com o tal de Ajuste Fiscal. Estão confiantes que tudo será aprovado a toque de caixa. Enquanto isso na Paraíba o sen. Romário e o dep. Tiririca foram vaiados e chamados de golpistas dentro de um restaurante durante uma confraternização. Ficaram calados e de cabeça baixa. Aqui se faz, e aqui se paga!

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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