Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de junho de 2015
Sai a psicóloga, entram os boleiros. Dunga, diferentemente de Luiz Felipe Scolari, seu antecessor, não tem um psicólogo trabalhando com o elenco para a disputa da Copa América, no Chile.
O Brasil estreia neste domingo às 18h30, em Temuco, ao sul de Santiago, contra o Peru, que é dirigido pelo argentino Ricardo Gareca, ex-treinador do Palmeiras, e tem como principal estrela o atacante Guerrero, que trocou o Corinthians pelo Flamengo,.
Será a primeira competição após o fracasso na Copa do Mundo de 2014, que teve os tema psicologia em destaque.
A estratégia de Dunga, capitão na Copa de 1994, para mexer com seus comandados é aproximar jogadores a ex-atletas que tiveram algum sucesso com a seleção para conviver com o elenco, dar palestras ou simplesmente ir à concentração para bate-papo.
A tarefa visa recuperar a confiança após o vexame no Mundial em casa –quando o Brasil levou 7 a 1 da Alemanha na semifinal, maior derrota da história da seleção.
Do elenco que vai para a Copa América, sete jogadores estavam na Copa de 2014 (Jefferson, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Fernandinho, Willian e Neymar).
Em 2014, a psicóloga Suzy Fleury fez o trabalho durante toda a Copa, analisando o perfil de cada atleta e passando a Felipão um roteiro de como conversar com cada um.
Depois, Fleury reavaliava o emocional de cada atleta semanalmente, conversando com alguns, se necessário.
No final, a seleção ficou marcada por estar desestabilizada emocionalmente, fato escancarado pela choradeira durante a disputa de pênaltis contra o Chile, nas oitavas de final, vencida pelo Brasil.
“Saímos de uma forma inesperada [da Copa-2014], que machucou todo mundo, e procuram alguém para criticar, para colocar pra baixo. Falam do choro, mas foi contra o Chile, um jogo que nós ganhamos”, disse Thiago Silva, capitão na Copa e que chorou muito na partida.
Dentro do plano de Dunga de trocar psicólogo por boleiros, o principal é ter um ex-jogador que tenha tido algum sucesso na seleção fazendo parte da comissão técnica –chamado de auxiliar pontual.
O primeiro foi o volante Mauro Silva, parceiro de Dunga na Copa-94, que participará também da Copa América. “O trabalho cuida de questões táticas e técnicas, mas também há um cuidado com o comportamental dos atletas”, disse Mauro Silva.
Já passaram pela função Jairzinho, Edu e Clodoaldo, campeões da Copa em 1970, e o ex-zagueiro Oscar, da seleção na Copa de 1982.
Taticamente, opinam pouco, mas têm liberdade para conversar individualmente com os atletas e expor experiências que viveram ou presenciaram nas competições.
Mas não são apenas os auxiliares pontuais que Dunga e Gilmar aproximaram do elenco para mexer com o emocional. Outros jogadores, ou ex-atletas já foram convidados para visitar os atletas.
Elano, campeão da Copa América de 2007 na Venezuela, com Dunga, e titular na Copa-2010, bateu um papo com o grupo antes do amistoso contra o México, no dia 7 de junho, em São Paulo.
Três dias depois, em Porto Alegre, antes do jogo frente a Honduras, o zagueiro Juan, outro campeão em 2007 e titular nas Copas de 2006 e 2010, falou com os jogadores. (Marcel Rizzo e Sérgio Rangel/Folhapress)
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