Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2017
Um novo estudo, publicado no periódico científico Human Reproduction Update, encontraram dados que podem representar grande redução da fertilidade masculina ao redor do mundo. De acordo com a análise de 185 pesquisas, realizadas desde 1973 até 2011 em diversos países, a quantidade de espermatozoides no esperma dos homens ocidentais diminuiu drasticamente – mais da metade nos últimos 40 anos. Se a tendência continuar, segundo os pesquisadores, isso pode levar à extinção do ser humano.
Queda na fertilidade
A equipe de pesquisa, liderada por Hagai Levine, epidemiologista da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, observou que entre os homens da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia a concentração de espermatozoides caiu 52,4% e a contagem total de células reprodutivas no esperma diminuiu 59,3%. Para os cientistas, isso representa, em média, uma queda de concentração do esperma de 1,4% ao ano.
Segundo Levine, esse é um dos maiores estudos já feitos sobre o tema e os resultados são preocupantes. “Se não mudarmos a forma como estamos vivendo, a maneira como nos relacionamos com o ambiente e os produtos químicos aos quais estamos expostos, eventualmente podemos ter um problema grande relativo à nossa reprodução. E ele pode levar ao fim da espécie humana”, disse o pesquisador à rede britânica BBC.
Dados contraditórios
Apesar dos resultados aparentemente graves, poucos estudos foram feitos em homens de África, Ásia e América do Sul desde o primeiro ano de análise. Nesses locais, o declínio também foi observado, mas em ritmo muito mais lento, o que põe em dúvida a questão de uma possível extinção, segundo os críticos.
Em outros estudos, que indicaram dados semelhantes, a metodologia foi bastante criticada por especialistas. Entretanto, segundo os pesquisadores da nova análise, Allan Pacey, professor na Universidade de Sheffield, na Inglaterra – e contrário à opinião alarmista sobre a queda da fertilidade humana – admitiu a redução de erros e resolução dos problemas anteriores que a atual pesquisa demonstrou.
“O debate não está concluído e ainda há muito trabalho há ser feito. No entanto, o novo artigo de fato é um avanço no sentido de lidar mais claramente com os dados e pode ser um primeiro passo no caminho de elaborar novas pesquisas para entender melhor essa questão”, disse Pacey à BBC.
Ocidentais
A análise de 185 estudos que incluem a contagem de espermatozoides de homens ao redor do mundo desde os anos 1970 até 2013 detectou uma forte redução neste parâmetro da fertilidade e saúde masculinas entre os habitantes de países ocidentais ricos. Segundo os pesquisadores, os dados indicam que neste período tanto a concentração quanto a quantidade total de gametas caíram mais que a metade entre os moradores em geral da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia, e em cerca de um quarto nos habitantes destas regiões do planeta previamente classificados como “férteis” nos estudos avaliados, como, por exemplo, os que já tinham sido pais na época dos exames.
Já entre os moradores de países da América do Sul, África e Ásia, os resultados do levantamento, de um tipo conhecido como meta-análise, foram contraditórios. Isso porque, embora também tenha apontado quedas, ainda que bem menores, na concentração e quantidade total de espermatozoides na população masculina em geral destas regiões nos últimos 40 anos, a análise também mostrou um aumento nestes dois parâmetros quando levados em conta apenas os homens considerados férteis nos estudos averiguados.
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