Terça-feira, 07 de Abril de 2020

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Mundo Reduto de guerrilhas na Colômbia já tem 25 mil venezuelanos

Membros da 51ª frente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) patrulham uma região remota da Colombia. (Foto: Reprodução)

Um relatório divulgado nesta quinta-feira (7) pela ONG Human Rights Watch (HRW) denuncia que pelo menos 25 mil imigrantes venezuelanos habitam a região de Catatumbo, no noroeste da Colômbia, e têm sido vítimas dos casos de violações aos direitos humanos causados pela ação de três grupos armados que controlam a região.

Os dados divulgados no documento foram recolhidos em 80 entrevistas realizadas em abril de 2019 com moradores da região, além de números cedidos pelo governo da Colômbia e estimativas feitas pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA-ONU).

O relatório aponta que os 295 mil habitantes distribuídos em 11 municípios em Catatumbo – historicamente uma das áreas mais violentas da Colômbia e sobre a qual até hoje o Estado não tem controle pleno – têm vivenciado aumento no número de homicídios, deslocamentos forçados, sequestros, exploração sexual, jornadas de trabalho abusivas em campos de plantação de coca e coação.

A violência em Catatumbo é uma realidade para os moradores desde a década de 70, quando o Exército de Libertação Nacional (ELN) chegou à região. Hoje, cerca de 400 homens estão espalhados pelos municípios, disputando o espaço com outros 200 guerrilheiros do Exército Popular de Libertação (EPL), além de poucos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que controlavam a região até o acordo de paz de 2016.

Mais de 40 mil pessoas foram vítimas de deslocamento forçado pelas guerrilhas desde 2017. Em relatos anônimos, os moradores afirmam que sofreram ameaças de morte ou de recrutamento forçado, e a alternativa apresentada pelos guerrilheiros foi a fuga.

Uma moradora da região, sob o pseudônimo de Lucía, relata que foi sequestrada com a filha de 12 anos no início de 2019 por dois homens armados e uniformizados. A menina havia recebido presentes durante o ano anterior de um membro da ELN habitante de sua cidade. “Dois homens armados levaram eu e minha filha de 12 anos à força para uma casa. Perguntei porque estávamos ali, e disseram que iam levar minha filha com eles. (Uma hora depois) nos abandonaram em uma estrada. Avisaram que nós tínhamos de sair da cidade ou me matariam e recrutariam minha filha”.

O índice de homicídios na região aumentou 51% de 2015 a 2018. Neste ano, 77 civis foram assassinados até julho, segundo a OCHA.

Entre os desaparecidos, houve registro de 24 casos em 2018, em relação a 11 em 2016. O número total de casos sob investigação entre 2017 e abril de 2019 era 189, muitos deles de anos anteriores.

A impunidade também alcança os casos de homicídios. De 770 denúncias em Catatumbo, somente 61 levaram à condenação dos responsáveis até abril.

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