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Notícias Delator diz que pagou propina de 5 milhões de dólares ao presidente da Câmara dos Deputados

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É a primeira vez que Júlio Camargo, da Toyo Setal, cujo acordo de delação foi homologado em dezembro do ano passado, cita Eduardo Cunha (imagem) como destinatário da propina. (Foto: André Coelho/AG)

O consultor da Toyo Setal e delator na Operação Lava-Jato, Júlio Camargo, disse ao juiz Sergio Moro, na quinta-feira, que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu a ele propina de 5 milhões de dólares em um contrato de navios-sonda da Petrobras. No depoimento, prestado em Curitiba (PR), Camargo contou que a solicitação de propina teria ocorrido pessoalmente, em uma reunião no Rio de Janeiro. O valor, afirmou, foi pago por meio de Fernando Soares, o Baiano, apontado como operador do PMDB em contratos com a estatal.

É a primeira vez que Camargo, cujo acordo de delação foi homologado em dezembro do ano passado, cita Cunha como destinatário da propina. Em nota, o presidente da Câmara disse ser “muito estranho’” o delator ter mudado a versão na véspera de seu pronunciamento em rede nacional e acusa o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ter articulado o depoimento.

O nome do parlamentar surgiu quando o delator respondia a Moro se ele vinha sendo pressionado a pagar propina por Baiano. Camargo contou que procurou o operador para intermediar um encontro com Cunha por causa de requerimentos apresentados na Câmara contra ele e contra a empresa Mitsui. Pelo relato do consultor da Toyo Setal, o peemedebista cobrou o valor para si quando afirmou haver um débito “entre você [Camargo] e o Fernando Baiano”.

“E que isso [o débito com o operador da propina] estava atrapalhando, porque estava em véspera de campanha – se não me engano, era uma campanha municipal –, que ele tinha uma série de compromissos, que eu vinha alongando esse pagamento há bastante tempo e que ele não tinha mais condição de aguardar”, continuou.

O consultor então contou que procurou o doleiro Alberto Youssef para tentar contornar o problema criado com o deputado peemedebista. “O Youssef era sempre uma pessoa presente nas minhas operações. Mas foi nesse caso, foi aí que o chamei, porque até então o Fernando Soares indicava as contas nas quais eu devia fazer os depósitos, e eu fazia esses depósitos a pedido dele”, afirmou. (Folhapress)

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