Segunda-feira, 06 de Abril de 2020

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Brasil Relatório aponta aumento da desigualdade entre imigrantes no mercado de trabalho

Em 2018, imigrantes de cor preta representavam 0,4% dos cargos de direção e gerência, contra 16,8% de brancos. (Foto: PC Flores/Divulgação PMPA)

Relatório sobre a inserção dos imigrantes no mercado de trabalho brasileiro apresentado nesta segunda-feira (11) pelo Ministério da Justiça mostra aumento na desigualdade entre os nacionais oriundos de países da América Latina e da África em comparação a imigrantes do norte global.

Em 2018, os imigrantes de cor preta representavam 0,4% dos cargos de direção e gerência, conforme o relatório. Já os brancos eram 16,8%. O relatório aponta que imigrantes de cor preta estão concentrados (61,6%) na categoria de trabalho de produção, bens e serviços industriais, que exige menos qualificação.

“Dos que ganham mais de 10 salários mínimos, 26% eram brancos e apenas 0,6% de cor preta. A gente pode ver aí a diferença”, afirmou Leonardo Cavalcanti, coordenador do Observatório de Migrações.

Durante a sua exposição, ele apontou diferenças no nível de formação dos imigrantes. Segundo o documento, imigrantes com nível superior são, predominantemente, da América do Norte e da Europa, enquanto africanos e latino-americanos têm, em sua maioria, o ensino fundamental completo. “Vemos uma diferença de formação que vai ter impacto no mercado de trabalho, na forma de inserção e nos salários”, disse Cavalcanti.

O documento aponta que o perfil do imigrante está mudando no Brasil, com uma maior participação de nacionais oriundos de países latino-americanos em detrimento de europeus. Em 2010, imigrantes de cor parda e preta, somados, representavam 13,9% do imigrantes no mercado de trabalho. Em 2018, ele eram 54,4%.

“Está se observando que ao longo dessa década está mudando a composição [de imigrantes], mas também está aumentando a desigualdade entre os imigrantes e aí é preciso pensar em políticas públicas para corrigir um pouco desse escopo de desigualdade”, afirmou Cavalcanti.

Pedidos de refúgio

As solicitações de refúgio no segundo quadrimestre de 2019 caíram 18,7% em relação ao segundo quadrimestre de 2018. A queda se dá em razão da redução no número de pedidos de refúgio de venezuelanos, que agora buscam solicitações de residência no País, segundo o relatório.

Na contramão dos venezuelanos, os pedidos de refúgio dos haitianos subiram no segundo quadrimestres em comparação ao primeiro. Foram 2.276 no primeiro, contra 5.798 no segundo quadrimestre. Roraima é quem mais recebe as solicitações de refúgio no país. 81% dos pedidos registrados no 2º quadrimestre de 2019 estão no Estado. Na sequência aparecem São Paulo (9,4%) e Mato Grosso do Sul (4,7%).

O relatório destaca o aumento no número de carteiras de trabalho emitidas para haitianos que solicitaram refúgio no Brasil. As emissões passaram de 18,7% no primeiro quadrimestre de 2019 para 29,5% do total de emissões no segundo quadrimestre. Venezuelanos reduziram sua participação no total de 65,8% para 58,8%.

De acordo com o relatório, desde o início de 2018 foram emitidas 133 mil carteiras de trabalho a solicitantes de refúgio, a maioria (66,3%) para imigrantes oriundos da América do Sul. O relatório também aponta para um crescimento na criação de postos de trabalho em 2019, com saldo de 4,7 mil vagas.

Conforme o levantamento, as vagas estão concentradas em duas categorias: trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio em lojas e mercados (32,2%) e trabalhadores da produção de bens e serviços industriais (65,4%). São Paulo (7,2 mil) e Santa Catarina (5,2 mil) são os Estados que mais contrataram.

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