Quarta-feira, 29 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 29 de abril de 2026
Impulsionada pelo desempenho de itens como soja e milho, a agropecuária do Rio Grande do Sul deve retomar seu crescimento em 2026. A informação consta no “Boletim de Conjuntura” divulgado nessa quarta-feira (29) pelo governo gaúcho e que indica, no comparativo com o ano passado, uma alta de 34,6% na produção da oleaginosa e de 21,8% no cereal.
Os índices são enaltecidos pela Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), responsável pelo estudo por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE). E representam um alento e tanto ao setor, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisar para baixo a previsão inicial de supersafra.
Tal previsão de avanço se dá após um período de retração associado a eventos climáticos como estiagem e enchenes. No quarto trimestre de 2025, a agropecuária já havia registrado crescimento de 16,7%, indicando o início de um movimento de recuperação.
Produção e exportações
A expansão da agropecuária se reflete no aumento da produção e na diversificação de culturas. Além da soja e do milho, a produção de uva deve crescer 8,6%, superando 1 milhão de toneladas. Apesar de a queda das exportações agropecuárias, as vendas externas de alimentos (atividade indiretamente ligada ao setor) cresceram de forma significativa de janeiro a março: 16,1% em relação a igual período de 2025, somando US$ 1,3 bilhão.
No total, o Estado exportou US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre, uma baixa de 7,5% frente a 2025. O DEE/SPGG atribuiu o resultado à retração da agropecuária (-15,1%) e da indústria (-5,8%), especialmente pela redução de 77% nas exportações de soja.
Base econômica
O cenário projetado para a agropecuária ocorre após o setor ter contribuído negativamente para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, quando a economia cresceu 0,9%. Em sentido oposto, a indústria e os serviços avançaram 1,7% cada no ano.
Com base no início deste ano, os indicadores apontam desaceleração dessas atividades. O primeiro bimestre teve retraçao na indústria, comércio e serviços, tanto na comparação com os meses imediatamente anteriores quanto em relação ao mesmo intervalo no ano passado.
A produção industrial recuou 3% em relação ao mesmo bimestre do ano anterior, com impacto em segmentos como veículos automotores, celulose e papel e máquinas e equipamentos. No comércio varejista ampliado, as vendas caíram 4,7% na mesma base de comparação, enquanto o setor de serviços apresentou retração de 2,1% no período.
Trabalho e renda
O mercado de trabalho manteve indicadores positivos ao final de 2025. A taxa de desocupação no quarto trimestre ficou em 3,7%, o menor nível da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, iniciada em 2012.
No trimestre encerrado em fevereiro de 2026, os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) apontam a criação de 4.733 empregos com carteira assinada, destacando-se a agropecuária, impulsionada por atividades de colheita. No acumulado em 12 meses, o Estado registrou 29.742 novas ocupações formais, com liderança do setor de serviços.
Cenário e perspectivas
A arrecadação real de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) totalizou R$ 13,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com redução de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, influenciada pelo desempenho negativo da indústria e do comércio. No Brasil, o PIB cresceu 2,3% em 2025, com desaceleração ao final do ano. A inflação acumulada em 12 meses até março foi de 4,14%, ao passo que a taxa Selic foi reduzida a 14,75% ao ano.
No cenário internacional, as projeções indicam crescimento de 3,1% ba economia mundial em 2026, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Isso tudo mesmo em um ambiente de incertezas devido a tensões geopolíticas que impactam fatores como os preços do petróleo.
Para 2026, o Boletim de Conjuntura indica um cenário de incerteza, o que exige cautela. Na agropecuária, os custos de produção e o endividamento dos produtores tendem a influenciar a área plantada de trigo no segundo semestre. Para a indústria e o comércio, a manutenção de juros elevados e o nível de endividamento das famílias seguem como fatores que podem limitar o ritmo da atividade econômica.
(Marcello Campos)
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