Terça-feira, 31 de março de 2026
Por Redação O Sul | 25 de março de 2026
Ex-primeira-dama tem posições divergentes dos filhos do ex-presidente em Minas, Ceará e DF e é próxima de Tarcísio.
Foto: ReproduçãoAs restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes às visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelos próximos 90 dias tendem a ampliar a influência política da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). A avaliação é que a medida pode fortalecer sua atuação em meio à relação complexa com outros integrantes da família e lideranças políticas, com impacto direto nas negociações de palanques estaduais.
Durante o período em que Bolsonaro esteve preso, Michelle e os filhos do ex-presidente — o senador Flávio Bolsonaro e o ex-vereador Carlos Bolsonaro — tinham acesso restrito, limitado aos dias de visita, geralmente às quartas-feiras e aos sábados. O modelo reduzia o tempo de convivência e a possibilidade de articulação política direta.
Com a prisão domiciliar e a manutenção das restrições principalmente para visitantes externos, Michelle passa a ter maior proximidade com Bolsonaro, já que reside no mesmo local. Na prática, isso amplia sua capacidade de interlocução contínua, o que pode pesar nas decisões políticas do ex-presidente, especialmente em temas nos quais há divergências com os filhos.
Flávio Bolsonaro ainda pode tentar equilibrar essa vantagem ao atuar como advogado do pai, o que lhe garante acesso mais frequente. Ainda assim, as visitas têm duração limitada, de cerca de 30 minutos por vez, o que reduz sua margem de influência em comparação com a convivência diária de Michelle.
Além da relação com os filhos, a ex-primeira-dama tende a se consolidar como principal canal de comunicação entre Bolsonaro e a classe política. Isso ocorre porque a restrição de visitas a pessoas fora do núcleo familiar — com exceção de advogados e profissionais de saúde — deve vigorar até o fim de junho, período considerado decisivo para a formação de alianças eleitorais.
Esse cenário pode favorecer aliados mais próximos de Michelle. Entre eles, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que atua nas articulações para a composição de chapas ao Senado e defende nomes considerados mais moderados. Também integram esse grupo o deputado Nikolas Ferreira, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o pastor Silas Malafaia.
As divergências internas ficam evidentes em diferentes estados. Em Minas Gerais, por exemplo, Michelle mantém proximidade com Nikolas Ferreira, que defende apoio a Mateus Simões (PSD). Já Flávio Bolsonaro avalia que o nome não é competitivo e prefere alternativas como Cleitinho Azevedo (Republicanos).
No Ceará, há divergência sobre alianças: Flávio sinaliza aproximação com Ciro Gomes, enquanto Michelle tende a apoiar o senador Eduardo Girão (Novo). No Distrito Federal, Michelle demonstra preferência pela deputada Bia Kicis (PL) para composição de chapa ao Senado, enquanto o grupo de Flávio se aproxima do senador Izalci Lucas (PL).
Com maior acesso direto ao ex-presidente, a tendência é que as posições defendidas por Michelle cheguem com mais força às decisões finais, o que pode influenciar o desenho das alianças eleitorais nos estados.
(Ricardo Correa/AE)
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