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Geral Reunião de Cúpula pela Paz reúne 75 países, mas termina sem declaração conjunta

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Líderes, ministros e diplomatas de dezenas de países, incluindo o Brasil, se reuniram para discutir o conflito entre Israel e Hamas. (Foto: Divulgação)

Líderes, ministros e diplomatas de dezenas de países árabes e ocidentais, incluindo o Brasil, se reuniram no sábado (21) para discutir o conflito entre Israel e Hamas na Cúpula da Paz no Cairo, capital do Egito. No entanto, ao final de horas de discursos, o encontro terminou sem uma declaração conjunta – sinal da divergência sobre pontos fundamentais, em especial o “direito de defesa” de Israel, defendido pelo Ocidente.

“Devemos agir agora para acabar com o pesadelo”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante o encontro.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, foi um dos que discursaram durante a cúpula. Ele condenou os ataques terroristas do Hamas, mas também faz críticas fortes à reação de Israel, dizendo que o país tem responsabilidades pela crise humanitária que assola a região de Gaza. Vieira também criticou a inércia dos organismos internacionais.

“Israel, como potência ocupante, tem responsabilidades específicas no âmbito dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário. Estas devem ser cumpridas em qualquer circunstância”, afirmou o chanceler brasileiro.

Segundo Vieira, a destruição de infraestrutura civil é “inaceitável”. Sem culpar diretamente Israel, o chanceler fez referência à destruição de um hospital que deixou centenas de mortos em Gaza.

“A destruição de infraestruturas civis, incluindo instalações de saúde, é inaceitável. Testemunhamos com consternação o bombardeamento do Hospital Árabe al-Ahli, lamentamos profundamente e lamentamos as centenas de vítimas civis, incluindo pacientes, médicos, enfermeiros e outros trabalhadores humanitários. Todas as partes devem proteger plenamente os civis e respeitar o direito internacional e o direito humanitário internacional”, disse.

A Faixa de Gaza, que está sob cerco total de Israel, precisa de “uma entrega massiva de ajuda”, acrescentou Guterres, depois que 20 caminhões com assistência entraram no território palestino procedentes do Egito no sábado. A ONU calcula que são necessários ao menos 100 caminhões diários para ajudar os 2,4 milhões de moradores de Gaza, que enfrentam a falta de água, energia elétrica e combustíveis devido ao “corte total” imposto por Israel.

Guterres discursou para líderes políticos do Egito, Jordânia e da Autoridade Palestina, além dos ministros das Relações Exteriores de países árabes e europeus, dirigentes da Liga Árabe, da União Africana e da União Europeia. Rússia, China, Japão, Canadá e Estados Unidos também enviaram representantes. O Brasil – que ocupa a presidência interina do Conselho de Segurança da ONU – foi convidado pelo país anfitrião.

A França defendeu um corredor humanitário para Gaza que, segundo ela, poderia levar a um cessar-fogo. Reino Unido e Alemanha pediram que o Exército de Israel se contenha, e a Itália disse que é importante evitar uma escalada.

Para o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, o principal objetivo da cúpula foi “ouvir uns aos outros”.

Cessar-fogo

A reunião teve o objetivo de discutir como evitar uma guerra regional mais ampla. Mas diplomatas sabiam que um acordo seria difícil por causa das sensibilidades em torno de pedidos por cessar-fogo e sobre incluir menção ao ataque do Hamas e ao direito de Israel de se defender.

Estados árabes temem que a ofensiva possa retirar permanentemente os habitantes de Gaza de suas casas e até levá-los aos países vizinhos – como quando os palestinos fugiram ou foram forçados a deixar suas casas na guerra de 1948, após a criação de Israel.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, disse que seu país é contra o que chamou de deslocamento de palestinos para a região do Sinai, predominantemente desértica, acrescentando que a única solução era um Estado palestino independente.

A Jordânia, casa de muitos refugiados palestinos e seus descendentes, teme que um conflito mais amplo dê a Israel a chance de expulsar palestinos em massa da Cisjordânia. As informações são do jornal O Globo e da agência de notícias Reuters.

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