Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de janeiro de 2016
Em troca de um acordo que o tirou da prisão, o lobista Fernando Moura ofereceu ao MPF (Ministério Público Federal) um conjunto de revelações de como o ex-ministro José Dirceu aparelhou a diretoria de Serviços da Petrobras para alimentar o caixa dois do PT.
Mas, diante do juiz federal Sérgio Moro, na última sexta-feira, Moura não apenas não entregou nada do prometido como isentou Dirceu e empresários beneficiados pela indicação de Renato Duque para o cargo na Petrobras. Em depoimento de quase duas horas em Curitiba (PR), Moura gaguejou, gargalhou e pareceu demonstrar espanto quando confrontado com as próprias declarações.
Na sua estreia como delator, em 28 de agosto, Moura atribuiu a Dirceu a “dica” para que ficasse longe do Brasil durante o mensalão. “Depois que assinei [o termo do depoimento] que fui ver [o que estava escrito], diz que o Zé Dirceu me orientou a isso. Não foi esse o caso”, recuou. Em esboço da delação feito pelo próprio Moura com seus advogados durante o estágio de negociação, o lobista cravou: “Depois da divulgação de reportagens que envolviam o meu nome ao escândalo do mensalão, recebi a ‘dica’ de José Dirceu para sair do País e, no começo de 2005, fui para Paris [França], onde fiquei de março a junho, ficando até o Natal em Miami (EUA)”. Moura é amigo de Dirceu há 30 anos e participou de todas as campanhas dele.
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