Quarta-feira, 22 de abril de 2026

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Economia Riscos internos explicam mais da metade da alta do dólar

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Moeda americana avança 11,32% sobre o real em 2024, enquanto alta sobre moedas de países emergentes é de 4,4%. (Foto: Freepik)

Apesar das incertezas globais que pressionam o câmbio mundo afora, mais da metade da alta do dólar sobre o real em 2024 se explica por problemas internos. O levantamento, feito pelo economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, compara a valorização do dólar sobre a moeda brasileira com o avanço da divisa americana sobre outros países emergentes.

Desde o início do ano, o dólar teve uma valorização de 11,32% sobre o real pela taxa chamada Ptax, calculada pelo Banco Central, saindo de R$ 4,84 para R$ 5,39. Essa alta, no entanto, é muito superior à valorização da moeda americana frente ao “dólar index emergentes”, que avançou 4,4% no período.

O “dólar index mercados emergentes”, calculado pelo Banco Central americano (Fed), é uma cesta de moedas com 19 países – entre eles China, México, Índia, Coreia do Sul, Colômbia, Chile, Argentina e o próprio Brasil, entre outros.

“Comparando o comportamento do real, vis a vis outras moedas de emergentes, a valorização do dólar é maior sobre a nossa moeda, o que indica que há um efeito de questões internas importantes”, afirma Costa Neto.

Pelo levantamento, portanto, mais da metade da valorização do dólar no ano deve-se a componentes domésticos. Em meados de abril, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante viagem aos Estados Unidos, chegou a afirmar que dois terços da alta da moeda americana eram consequência de fatores externos.

Campos Neto aponta as dificuldades de o governo cumprir as metas do arcabouço fiscal como a principal causa para a desconfiança, mas cita também os recentes ruídos no Banco Central, que colocou a política monetária em xeque, e a mudança de comando na Petrobras.

Momentos-chave

O levantamento expõe períodos que foram determinantes para a desvalorização do real em 2024 e ajudaram a formar a “boca de jacaré” – jargão para a disparidade entre indicadores – que foi se abrindo entre os dois índices.

No dia 7 de março, a Petrobras anunciou que não pagaria dividendos extraordinários aos seus acionistas – o que preocupou investidores e levantou temor sobre uma possível interferência do governo na estatal. A decisão, que acabou sendo revista, representou o início da piora da relação entre o mercado financeiro e o governo Lula.

Posteriormente, em abril, dois eventos foram chave. Um externo, com a inflação americana mais alta; outro, interno, com a mudança nas metas fiscais anunciada pela equipe econômica. Percebe-se uma valorização muito mais acentuada do dólar em relação ao real a partir de 15 de abril, quando o governo baixou as metas para as contas públicas.

Nas últimas semanas, a alta mais expressiva foi marcada por um pacote de notícias ruins. No dia 8 de maio, o Banco Central sofreu um racha na reunião do Copom, com uma votação divida por 5 votos a 4. No dia 14, o então presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, foi demitido do cargo.

No último dia 8 de junho, falas de Haddad a investidores em uma reunião em São Paulo foram interpretadas como sinal de fraqueza do ministro à frente da pasta. Declarações de Lula sobre o fiscal, sem menção a corte de gastos, também desagradaram o mercado. Esses eventos, somados a uma expectativa de juros mais altos no exterior por mais tempo, fizeram o dólar subir mais em relação ao real na comparação com outros países.

“O componente dominante da depreciação do real é, sem dúvida, doméstico. A preocupação com o tema fiscal domina. O relacionamento do governo com as empresas públicas (Petrobras) e privadas (Vale, Eletrobras) também não ajudou”, disse Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do banco americano Goldman Sachs.

Há outros indicadores que mostram esse descolamento do Brasil. O estrategista macro da Genial Investimentos, Roberto Motta, pontuou, em uma rede social, que as bolsas mundiais têm alta de 10,2% em dólar, enquanto o Ibovespa recua 19,55% também em dólar. Os juros cobrados pelo Tesouro brasileiro para a rolagem da dívida pública também chegaram a 6% acima da inflação, o que indica essa forte desconfiança.

Silvio Campos Neto lembra que o Brasil tem tido superávit comerciais fortes nos últimos anos, com exportações de minério de ferro, soja e petróleo, além de ter reservas cambiais na casa de US$ 350 bilhões. Além do estoque de dólares das reservas, há um fluxo grande de entrada de moeda americana vai balança comercial. E diz que o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) tem coberto com folga o déficit em conta-corrente medido pelo Banco Central.

“Os modelos apontam que o real deveria estar cotado entre R$ 4,80 e R$ 4,90, para níveis mais apreciados. Temos reservas, exportações diversificadas e um forte saldo na balança comercial anual”, disse.

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