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Rio Grande do Sul Roteiro cultural: jovens de programa estadual conhecem legado das Missões Jesuíticas no RS

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Passeio ressaltou história, patrimônio e herança da região. (Foto: Zé Carlos de Andrade/Divulgação)

Um mergulho na história, cultura e origens do Rio Grande do Sul marcou a segunda viagem educativa promovida pelo programa estadual “Partiu Futuro Reconstrução” às Missões Jesuíticas. Nesta semana, um grupo de 237 adolescentes e jovens participou de atividade no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, localizado em São Miguel das Missões e reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Selecionados com base em critérios de desempenho, engajamento e frequência no projeto, os participantes residem nos municípios de Bom Princípio, Capão da Canoa, Charqueadas, Feliz, Igrejinha, Montenegro, Parobé, Pelotas, Rio Grande, Rolante, São Jerônimo, São José do Norte, São Lourenço do Sul, São Sebastião do Caí, Taquara, Tramandaí e Triunfo.

Essa foi a segunda turma do “Partiu Futuro Reconstrução” a percorrer o roteiro. A primeira, com participantes de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, esteve no local no dia 18.

A agenda foi desenvolvida especialmente para os integrantes da iniciativa e reforça a proposta de uma formação que vai além da qualificação profissional. Com isso, estimula-se o acesso à cultura e valorização da trajetória histórica gaúcha, em um mês no qual se comemoram os 400 anos das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul.

Ao longo do dia, a comitiva acompanhou palestra de Nadir Damiani, historiadora, professora da URI Santo Ângelo e fundadora do Instituto Histórico e Geográfico de Santo Ângelo (IHGSA), referência nos estudos sobre as Reduções Jesuítico-Guaranis. Ela apresentou o contexto das Missões e sua influência na formação cultural do Estado. O roteiro incluiu, ainda, um espetáculo artístico de som e luz inspirado na temática .

Os participantes também acompanharam um bate-papo com o artesão, cineasta e pensador mbyá-guarani Ariel Kuaray Ortega sobre a produção audiovisual indígena. Na sequência, uma apresentação do Coral Guarani Jerojy Mbaraete, formado por integrantes da aldeia Tekoá Ko’enju, além da dança Xondaro (manifestação tradicional Guarani que reúne elementos de luta, proteção espiritual e expressão cultural) e de uma atividade de pintura facial conduzida pelos indígenas.

Além das atrações culturais e palestras, o grupo realizou visita guiada ao sítio arqueológico e ao Museu das Missões, conhecendo de perto um dos mais relevantes conjuntos históricos e culturais do País. A turma explorou as ruínas da antiga redução de São Miguel Arcanjo, incluindo a imponente fachada da catedral, com cerca de 30 metros de altura e símbolo da grandiosidade arquitetônica missioneira.

O complexo reúne, ainda, vestígios do colégio, da residência dos padres, do cemitério e de outras estruturas que faziam parte da antiga comunidade.

Para a pelotense Luka Garcia da Costa, 19 anos, a experiência proporcionou uma nova percepção sobre a história do Estado: “Adorei conhecer as ruínas e aprender mais sobre as Missões e os povos indígenas guaranis. Foi uma oportunidade muito especial”. A viagem também marcou Emanuelli Martins dos Santos, 14 anos, de Rio Grande: “Gostei muito da visita às ruínas de São Miguel. Foi tudo maravilhoso e muito emocionante”.

O titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes), Gustavo Saldanha, salienta: “O programa vai além da qualificação profissional, ao oportunizar formação cidadã, acesso a cultura e conexão com a história do Estado. Conhecer as Missões é também compreender as raízes do Rio Grande do Sul e fortalecer a ideia de pertencimento e valorização de nossa identidade, bem como ampliar horizontes e contribuir para o desenvolvimento pessoal e social dos participantes”.

Contextualização

Diretamente relacionado à convivência entre povos indígenas guaranis e missionários europeus, o legado das Missões Jesuíticas influenciou profundamente a identidade cultural gaúcha. O trabalho desenvolvido pelos jesuítas nas reduções envolvia catequização, educação, ensino de ofícios e organização coletiva das comunidades, promovendo intensa troca cultural com os povos originários.

Dessa experiência surgiram os chamados Sete Povos das Missões, considerados parte essencial do patrimônio histórico e cultural gaúcho: São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Borja e Santo Ângelo Custódio.

Saiba mais

Ao todo, são 2.785 participantes de 75 municípios gaúchos na segunda edição do “Partiu Futuro Reconstrução”, realizado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes). A iniciativa é voltada a adolescentes e jovens de 14 a 22 anos, egressos ou matriculados na rede pública de ensino, inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) e impactados pelas enchentes de maio de 2024 ou residentes em municípios integrados ao programa “RS Seguro”.

O contrato tem duração de um ano e prevê carga total de 1.040 horas. Cada contemplado recebe bolsa-auxílio de R$ 894 para jornada de 20 horas semanais, além de vale-alimentação de R$ 550 e, quando necessário, vale-transporte. Também conta com registro em carteira de trabalho e acesso a todos os direitos garantidos por lei, como FGTS, INSS, férias e 13º salário.

(Marcello Campos)

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