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Brasil Saiba por que o Brasil usa intervalo maior entre a aplicação de doses da vacina da Pfizer

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A determinação vale até que sejam concluídas as análises de um caso raro de morte de uma gestante de 35 anos por causa de um AVC hemorrágico. (Foto: EBC)

O avião com carregamento de mais 629 mil doses da vacina da Pfizer/BioNTech pousou na noite desta quarta-feira (5) no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

O contrato firmado entre a Pfizer e o governo federal prevê a compra de um total de 100 milhões de doses. No dia 29 de abril, Viracopos recebeu o primeiro lote da vacina da Pfizer, a terceira a ser usada no Brasil, com 1 milhão de imunizantes.

A pasta divulgou orientações aos Estados e municípios para que apliquem as duas doses da vacina com 12 semanas de intervalo. Esse, entretanto, não é o intervalo recomendado pela farmacêutica americana.

Em janeiro, a empresa afirmou que só pode garantir a eficácia da vacina se ela for dada com 21 dias de espaçamento entre as doses, conforme foi testada. O intervalo sugerido pela fabricante é o mesmo defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade admite uma ampliação para, no máximo, até 42 dias (6 semanas).

Para justificar a orientação de 12 semanas, o Ministério da Saúde informou em nota técnica que adota o mesmo intervalo usado no Reino Unido, que ampliou o prazo com base em estudos que constataram que o imunizante confere um certo nível de proteção mesmo com apenas uma dose:

— Um dos estudos, feito justamente no Reino Unido, apontou para 80% de efetividade da vacina na redução do risco de hospitalização com apenas uma dose em idosos de 70 anos ou mais.

— Uma segunda pesquisa, publicada em fevereiro na revista científica “The Lancet”, apontou que a vacina reduziu em 75% a transmissão do coronavírus e de 85% dos casos sintomáticos de covid menos de um mês após a aplicação da primeira dose. Na época, os autores destacaram que os resultados davam suporte à possibilidade de adiar a segunda dose em cenário de escassez de vacinas.

— Um terceiro estudo apontou, ainda, que a transmissão da covid-19 cai pela metade com apenas uma dose das vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca/Oxford.

Para a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, atrasar a segunda dose pode ser uma boa estratégia – desde que ela esteja garantida.

“Com 80% de proteção para uma dose, pode ser uma política boa para o Brasil nesse momento, de vacinar o máximo de pessoas possível. Se for o caso de usar todas as doses e vacinar com essa proteção alta, de 80% para uma dose, poderia fazer sentido”, avalia.

O Ministério da Saúde informou que disponibilizaria 500 mil das 1 milhão de doses recebidas pelo Brasil para a primeira etapa de imunização – mas não deixou claro se as outras 500 mil serão destinadas para completar o esquema vacinal ou se serão usadas em um novo grupo de primeira dose.

Na nota técnica, o ministério cita estudos feitos nos Estados Unidos e Reino Unido, que apontam uma elevada efetividade após a primeira dose da vacina. Um intervalo maior possibilita a vacinação do maior número possível de pessoas com a primeira dose e traz maiores benefícios do ponto de vista da saúde pública, argumenta a pasta.

O ministério explica que os dados epidemiológicos e de efetividade da vacina serão monitorados e que a recomendação pode ser revista. “Em cenários de maior disponibilidade da vacina, o intervalo recomendado em bula [21 dias] poderá ser utilizado”, completa a pasta.

Em janeiro, depois que o Reino Unido decidiu aplicar a vacina com 12 semanas de intervalo entre as doses, a Pfizer alertou que não poderia garantir a eficácia de seu imunizante com este intervalo.

Em nota, a Pfizer Brasil disse que “as indicações sobre regimes de dosagem ficam a critério das autoridades de saúde e podem incluir recomendações seguindo os princípios locais de saúde pública”.

Além disso, a empresa ressaltou que a bula registrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) preconiza um intervalo entre doses, preferencialmente, de 21 dias.

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