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Por Redação O Sul | 8 de abril de 2020
Já se sabe que a covid-19 tende a afetar mais os velhos e aqueles com doenças associadas, as chamadas comorbidades. Mas desde que o coronavírus se alastrou e provocou mortes em mais de uma centena de países, uma pergunta vem intrigando cientistas de todo o mundo: por que homens estão morrendo mais do que as mulheres?
A tendência foi observada inicialmente na China, onde o surto teve origem. Depois, se refletiu em países como França, Alemanha, Irã, Itália, Coreia do Sul e Espanha. E também no Brasil. Segundo últimos dados do Ministério da Saúde, 58% dos óbitos por covid-19 foram de pacientes do sexo masculino.
O número surpreende ainda mais quando se leva em conta que, no país, há 4 milhões mais mulheres do que homens acima dos 60 anos – faixa etária a partir da qual a maior parte das mortes por covid-19.
Cientistas ainda não sabem dizer ao certo por que isso vem ocorrendo. Mas apostam que a resposta não está em um único fator, mas possivelmente numa combinação deles: biologia, estilo de vida e comportamento poderiam explicar o caráter “sexista” da covid-19.
Estilo de vida pouco saudável? Uma primeira explicação veio da China. Naquele país, estudos preliminares mostraram que os homens corriam muito mais risco do que as mulheres em relação ao coronavírus.
Um levantamento com 99 pacientes em um hospital na cidade de Wuhan, origem do surto, descobriu que dois terços dos pacientes eram homens e mais da metade dos doentes hospitalizados tinham doenças crônicas como cardiopatias ou diabetes.
Dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças chinês, baseados em dezenas de milhares de casos, revelaram que 64% dos mortos por covid-19 eram homens.
A causa mais provável teria a ver, então, com o estilo de vida. Ao redor do mundo, homens tendem a beber e a fumar mais do que as mulheres e, portanto, ficam mais suscetíveis a desenvolver doenças pulmonares e cardiopatias, o que os fragilizariam caso contraíssem o coronavírus.
E, num contexto mais amplo, também há o fator comportamental: estudos mostram que homens lavam menos as mãos do que as mulheres, tendem a usar menos sabão, assim como deixam de ir ao médico com regularidade e ignoram os alertas das autoridades de saúde.
Mas outros aspectos começaram a ser considerados a partir do momento em que o coronavírus cruzou as fronteiras da China e atingiu outros países.
Segundo os cientistas, o motivo seriam diferenças biológicas entre homens e mulheres. Pesquisas mostraram que as mulheres geralmente têm sistemas imunológicos mais fortes do que os homens e, portanto, debelam infecções com mais facilidade.
De acordo com estudo recente publicado na revista científica Human Genomics, o cromossomo X contém um grande número de genes relacionados à imunidade e, como as mulheres têm dois deles (os homens só tem), largam na frente no combate a doenças.
Até durante a gripe espanhola de 1918, que matou 50 milhões de pessoas ao redor do mundo, homens eram mais propensos a morrer do que mulheres.
Além disso, a testosterona, hormônio sexual mais predominante nos homens, tende a ser imunossupressora. Essa é a razão pela qual homens com níveis mais altos de testosterona tendem a responder pior à infecções respiratórias, por exemplo.
Contudo, apesar das evidências cada vez mais crescentes, especialistas dizem que mais dados são necessários para determinar por que morrem mais homens do que mulheres de covid-19. As informações são da BBC News.
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