Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de janeiro de 2016
Recentemente, o diretor-presidente do Twitter, Jack Dorsey, “tuitou” uma mensagem com bem mais de 140 caracteres. Em mais de 1.177 mil caracteres (inclusive espaços), ele deu a entender que o Twitter poderia, em breve, elevar o teto estabelecido para mensagens postadas no site, originalmente criado porque muitos “tuítes” eram enviados via SMS, mas rapidamente tornaram-se parte do DNA do site.
Apesar disso, sob o comando de Dorsey, que retornou à liderança da companhia em outubro de 2015, o Twitter está considerando modificar o serviço para permitir que os usuários escrevam mensagens de até 10 mil caracteres, diz uma pessoa familiarizada com o assunto. Ele quer mostrar que nada é sagrado, em um momento em que o Twitter se renova, em busca de novos usuários – seja ao reinventar a experiência Twitter para sua seção “Moments”, que exibe uma seleção de “tuítes” sobre um determinado tema; mudar o símbolo favorito de uma estrela para um coração; ou eliminar o limite de caracteres de mensagens diretas.
Rejeição dos usuários é temida.
Mas analistas estão preocupados com a possibilidade de que um movimento do Twitter para ampliar o limite de caracteres seja rejeitado pelos usuários existentes. As ações da companhia caíram na esteira do “tuíte” de Dorsey. “É como se Elon Musk [CEO da Tesla Motors], dissesse que vai fazer uma versão a gasolina do seu carro elétrico”, diz Richard Holway, presidente da TechMarketView, empresa de análise do setor.
Outros analistas, porém, interpretaram a decisão como uma forma de buscar e exibir notícias. Atualmente, os usuários são direcionados para fora do Twitter, encaminhados a outro aplicativo ou site para ler um artigo completo sobre o qual um usuário tenha “tuitado”. A expansão do limite de caracteres é uma forma de manter os usuários no Twitter durante mais tempo.
Thomas Husson, da Forrester Research, diz que a mudança poderia incentivar editores a “colocarem um trecho substancial de um artigo em ‘um tuíte’ ou exibir conteúdo adicional. É, sem dúvida, uma tentativa de criar mais aderência à plataforma”.
Ele cita o serviço “Artigos Imediatos”, do Facebook, para o qual a rede social firmou acordos com jornais e grupos de mídia, levando-os a postar trechos inteiros na própria rede social. O produto tem dividido opiniões entre as empresas de notícias. Algumas veem com bons olhos o tráfego significativo que isso gera para seus artigos, mas outras estão preocupadas com que o Facebook ganhe maior controle e acesso direto aos seus leitores.
Imitação do Facebook.
Husson diz que a mudança no Twitter está “imitando a abordagem do Facebook para que as pessoas passem mais tempo no site”, o que torna a empresa mais atraente aos anunciantes. No ano passado, o Facebook informou que os usuários gastaram, em média, mais de 46 minutos por dia em seu site principal, no serviço de compartilhamento de fotografias Instagram e no aplicativo Messenger.
Na ocasião, analistas do grupo de investimentos Needham escreveram, em nota: “Se o tempo é dinheiro, então o site Facebook.com representa a propriedade mais valiosa da internet atualmente”. Mas Holway observa que as mudanças propostas pelo Twitter não atacam os verdadeiros desafios, argumentando que a empresa não assegurou a receita para levá-la a um patamar de rentabilidade de forma suficientemente rápida para sustentar seu valor de mercado original.
“Um dos problemas reais do Twitter é que ele é muito desordenado”, afirma Holway. “Muita gente não sabe como usar o Twitter a ponto de considerá-lo efetivamente útil. O outro problema é que eles nunca fizeram o suficiente para monetizá-lo”, destaca. Husson frisa que a empresa precisa incrementar bem mais o produto principal. (AG)
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