Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

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Capa – Caderno 1 Saiba por que Raúl Castro está deixando a presidência de Cuba

“Ele está deixando a presidência porque está velho", diz especialista. (Foto: Reprodução)

A Assembleia Nacional de Cuba divulgou na quinta-feira (19) o resultado da sessão parlamentar para eleger o novo presidente da ilha, uma transição histórica depois de seis décadas dos irmãos Castro no poder. O escolhido, o até então vice-presidente Miguel Díaz-Canel, é o primeiro líder do país a não ter participado da revolução cubana.

Agora oficialmente ex-presidente, Raúl Castro, de 86 anos, já havia anunciado em 2008, quando assumiu como sucessor de seu irmão Fidel no poder, que passaria apenas dois mandatos de cinco anos na presidência do país. Mas especialistas acreditam que, além disso, a troca é motivada por uma necessidade do PCC (Partido Comunista de Cuba) – o único da ilha – de se renovar.

“Ele está deixando a presidência porque está velho. O partido entendeu que seria necessário trocar o poder para trazer uma figura nova, uma renovação”, explica Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (Universidade de São Paulo). Ainda assim, ressalta o especialista, essa mudança representa muito mais um ato simbólico do que uma ruptura.

“O Partido Comunista vai continuar no poder, a manutenção do regime vai ocorrer. A diferença é que Díaz-Canel é muito mais discreto, moderno, tecnológico e próximo da juventude. Ele está preparando o país para as novas gerações, porque a geração da revolução já ficou para trás”, afirma.

Pfeifer avalia que o novo presidente deve continuar a transição econômica e social, lenta e controlada, que se iniciou com Raúl Castro, aproximando Cuba de outros países que, antes, não eram vistos como aliados.

“Com a crise na Venezuela, um país que sempre foi considerado um aliado cubano, Díaz-Canel terá de buscar novas opções. A tendência é que ele continue a reaproximação com os Estados Unidos, que foi acelerada no governo de [Barack] Obama, estagnou quando [Donald] Trump entrou no poder e agora deve avançar novamente.”

Díaz-Canel assumiu oficialmente como presidente de Cuba às 9h30min (10h30min, no horário de Brasília), em Havana, após uma sessão parlamentar de dois dias. A troca originalmente estava prevista para acontecer em fevereiro, porém, com a temporada de furacões que devastaram o país no final de 2017, teve de ser adiada.

Raúl Castro, apesar de deixar o cargo máximo da República, continuará como líder do Partido Comunista até 2021 e permanecerá ativo na política. Ele foi eleito deputado com 98% dos votos em março deste ano.

Donald Trump

Ao falar na Assembleia Nacional durante a transição da presidência cubana a Miguel Díaz-Canel, Raúl Castro criticou duramente o governo de Donald Trump nos EUA, dizendo que sua política externa é “neocolonial” e que pune injustamente parceiros comerciais como China e Europa, enquanto busca isolar Cuba e seus aliados.

A Casa Branca retucou que não vai abrandar sua forma de agir com o regime cubano. A aproximação entre os dois países vinha sendo implementada no governo de Barack Obama. Embaixadas dos dois países voltaram a se instalar em Havana e Washington, e o antecessor de Trump chegou a visitar Cuba em 2016, reduzindo a tensão de décadas entre a superpotência capitalista e o pequeno enclave socialista situado a poucos quilômetros de sua costa.

No entanto, esse movimento foi freado quando o republicano assumiu a presidência dos EUA, deixando incerteza sobre como se relacionarão os dois países no futuro. A Casa Branca respondeu que a administração Trump não vê o povo cubano ganhando maior liberdade sob o governo recém-instalado de Cuba.

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