Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de junho de 2017
Surfar, velejar, nadar, passear pelas praias. Os seres humanos adoram os mares, além de precisarem deles para sobreviver. Apesar disso, o tratamento que têm dado aos oceanos tem sido o pior possível.
De acordo com a rede alemã DW (Deutsche Welle) as maiores ameaças humanas aos oceanos incluem cinco fatores de risco predominantes. São eles a atividades de pesca, o aquecimento global, a busca de tesouros marinhos, a poluição atmosférica e das próprias águas marinhas, que cobrem mais da metade do planeta.
Pesca predatória
Peixes e frutos do mar são alimento saudável. Mais ainda: em todo o mundo, sobretudo em nações em desenvolvimento, muitos dependem dessas fontes proteicas marinhas para sobreviver. Antigamente a humanidade só pescava tanto quanto a natureza podia repor. Mas esse equilíbrio foi destruído.
Segundo as ONU (Organização das Nações Unidas), em 2015 foram pescadas mais de 81 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar – 1,7% a mais do que no ano anterior. Quase um terço dos estoques pesqueiros do mundo já foi esgotado, mais da metade está no limite máximo.
Poluição
Embora as emissões de dióxido de carbono tenham se multiplicado desde o início da industrialização, a concentração do gás poluidor na atmosfera só aumentou 40%. O motivo é que os oceanos assimilam dióxido de carbono, que é solúvel em água, e assim desaceleram a mudança climática. Só que o preço ecológico também é alto.
Quando esse gás se dissolve na água, gera-se ácido carbônico. Em 1870, o pH (coeficiente de acidez) médio do mar era 8,2. Atualmente está em 8,1, devendo, segundo certos prognósticos, chegar a 7,7 até o ano 2100.
Essa variação parece mínima, mas significa que os oceanos conterão 150% mais acidez, tornando inviável a vida para muitas espécies. Sobretudo certos moluscos deixarão de se reproduzir, acabando por extinguir-se. Também extremamente sensível à acidificação é o plâncton, fonte microscópica de alimento para numerosos peixes e mamíferos marinhos.
Aquecimento global
Os mares não absorvem apenas o dióxido de carbono, mas também cerca de 93% do calor produzido pelas emissões de gases-estufa. A consequência inevitável, contudo, são águas oceânicas mais quentes.
Entre 1900 e 2008, a temperatura superficial dos oceanos subiu, em média, 0,62ºC; em certas zonas, como o Mar da China, até 2,1ºC. Para muitos organismos submarinos, como os corais, isso representa um grande problema.
Só uma redução das emissões de dióxido de carbono poderia evitar o aumento continuado das temperaturas marítimas. Paralelamente, cientistas tentam desenvolver variedades de coral mais resistentes a temperaturas mais elevadas.
Sujeira que mata
Durante muito tempo os oceanos constituíram um gigantesco lixão para navegadores, navios de cruzeiro e cidades costeiras. Atualmente, embora a atitude tenha se modificado profundamente, continua se acumulando uma enorme quantidade de resíduos nas águas internacionais.
Nos oceanos formaram-se cinco grandes vórtices de lixo, em que as correntes concentram trilhões de fragmentos de plástico e outros resíduos. Calcula-se a sua superfície total entre 700 mil e 15 milhões de quilômetros quadrados.
No entanto, 99% do lixo nunca chega a esses redemoinhos gigantes, sendo lançado de volta nos litorais, onde ameaçam aves, tartarugas e outros animais marinhos. Além disso, grande parte se decompõe em partículas minúsculas. O microplástico resultante se deposita então no fundo do mar ou no gelo dos polos.
Caça aos tesouros marinhos
A grande corrida aos mares provavelmente ainda está por vir. Pois, nas profundezas dos oceanos, incontáveis riquezas esperam para ser extraídas, a fim de satisfazer a cobiça e a sede de progresso humanas. Um exemplo são os nódulos de manganês, elemento empregado na produção de ligas metálicas, sobretudo de aço inoxidável.
Calcula-se que haja mais de 7 bilhões de toneladas de manganês no fundo dos mares – mais do que em terra. Diversos países já reivindicaram com sucesso o uso do solo marinho, para poder começar com a extração num futuro próximo. Outros metais valiosos, como níquel, tálio e terras raras, são encontrados nas profundezas.
No entanto, as áreas contendo as rochas compostas de ferro e hidróxido de manganês são também focos de biodiversidade. Em 2016 mesmo, descobriu-se num desses campos uma espécie inédita de polvo, de aparência fantasmagórica.
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