Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 18 de dezembro de 2025
Senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi alvo de mandados de busca e apreensão
Foto: Carlos Moura/Agência SenadoO senador maranhense Weverton Rocha (PDT-MA) foi alvo de um mandado de busca e apreensão na nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema nacional descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
Em abril, investigações da PF revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as investigações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Também é alvo da operação um homem identificado como Romeu Carvalho Antunes, que foi preso. Ele é filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que também já foi preso no mesmo esquema, em setembro.
Foi preso ainda Eric Fidélis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, foi afastado do cargo e teve prisão domiciliar decretada.
Em nota, a defesa de Weverton afirmou que o senador recebeu com surpresa a busca na sua residência e que, “com serenidade, se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral a decisão”.
Weverton Rocha Marques de Sousa é natural de Imperatriz (MA), tem 46 anos, e construiu sua carreira política a partir de engajamento no movimento estudantil e na política partidária desde a adolescência. No entanto, também acumula diversos processos, no qual nega participação em crimes.
Durante a juventude, participou como dirigente estudantil em organizações como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), chegando a vice-presidência da entidade nacional.
Nos primeiros anos de sua trajetória pública, trabalhou como assessor na Prefeitura de São Luís entre 2000 e 2006 e foi secretário estadual de Esporte e Juventude do Maranhão com apoio do então governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT).
Carreira
Nas eleições, Weverton foi eleito pela primeira vez em 2010, como suplente de deputado federal, assumindo a cadeira em 2012. Foi reeleito em 2014 e permaneceu na Câmara dos Deputados até 2018. Durante esse período, se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e contra a reforma trabalhista de 2017.
Em 2018 foi eleito senador sob o apoio do governador Flávio Dino, assumindo o mandato que tem até hoje. Atualmente, Weverton tem atuado na base do presidente Lula (PT), sendo relator da indicação do ministro Jorge Messias ao STF.
Em 2022, Weverton chegou a se candidatar a governador do Maranhão com a esperança de que obteria o mesmo apoio de Flávio Dino, mas o acordo não se concretizou. Dino apoiou o então vice-governador, Carlos Brandão (PSB), que venceu as eleições.
Processos
* Caso Projovem Urbano
Quando era secretário de Esporte e Juventude do Maranhão, Weverton foi investigado por contratações sem licitação no âmbito do programa Projovem Urbano.
O Ministério Público ofereceu denúncia por violação à Lei de Licitações e a ação penal chegou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), que absolveu Weverton pelo entendimento de que não houve dolo ou prejuízo ao erário.
* Caso Costa Rodrigues
Em 2017, quando ainda era deputado federal, Weverton se tornou réu no Supremo Tribunal Federal por violação à lei de licitações e peculato pela contratação de uma empreiteira e de dispensa de licitação para a reforma do ginásio Costa Rodrigues, em São Luís.
Dois anos depois, porém, o STF declinou da competência para julgar o caso, e encaminhou o caso para a justiça estadual. Em 2022, o Tribunal de Justiça do Maranhão decretou o encerramento da ação penal e não houve julgamento. O caso poderá ser retomado se a investigação for reiniciada.
* Operação Odoacro
Recentemente, as emendas parlamentares destinadas por Weverton foram citadas na Operação Odoacro, que mira supostas irregularidades em contratos envolvendo empresas e agentes públicos no Maranhão, com foco em fraudes, lavagem de dinheiro e uso indevido de verbas públicas.
Segundo as investigações, o senador teria destinado cerca de R$ 34 milhões em emendas individuais que foram aplicadas em obras realizadas por duas empresas (Construservice Empreendimentos e Pentágono Comércio e Engenharia) que são investigadas pela PF.
Em todos os casos, Weverton negou vínculo direto com irregularidades, afirmando que não é parte nas investigações direcionadas a terceiros.
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