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Alexandre Teixeira G. de Castilhos Rodrigues Sampaio e a alma da Infantaria

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Existe um som que apenas os homens da Infantaria compreendem plenamente. Não é o estampido do tiro, nem o ruído metálico do ferrolho do fuzil. É o som das botas avançando na madrugada, o ranger do equipamento molhado pela chuva, o silêncio pesado antes da missão e aquela respiração curta de quem aprende cedo que, muitas vezes, a coragem consiste apenas em continuar caminhando.

A Infantaria nunca foi apenas uma arma militar. Ela é uma espécie de irmandade ancestral construída no barro, no suor, no frio e na superação humana. O infante carrega o fuzil, mas também carrega a responsabilidade de estar na linha de frente da história. É ele quem ocupa o terreno, quem resiste quando tudo parece ruir, quem aprende que o corpo possui limites, mas a vontade frequentemente os ultrapassa.

Talvez por isso os infantes do mundo inteiro se reconheçam sem precisar de apresentações. Existe um vínculo invisível entre aqueles que já marcharam sob o peso do equipamento, suportaram noites sem dormir e aprenderam que, na Infantaria, o companheiro ao lado vale tanto quanto a própria vida.

Nos Estados Unidos, os homens da Infantaria são chamados de “riflemen”, os homens do fuzil. No Brasil, chamamos de infantes, fuzileiros, soldados da linha. Os nomes mudam conforme a língua e a tradição militar, mas a essência permanece a mesma: homens preparados para avançar quando todos hesitam.

E, acima de todos os infantes brasileiros, ergue-se a figura austera do Brigadeiro Antônio de Sampaio, Patrono da Infantaria do Exército Brasileiro.

Sampaio não nasceu entre palácios nem cresceu cercado de privilégios. Veio do sertão cearense, filho de ferreiro, moldado pelas dificuldades da vida e pela disciplina das armas. Sua trajetória parece ter sido esculpida no mesmo aço das baionetas que conduziu em combate.

Participou de revoltas internas, guerras regionais e campanhas militares que ajudaram a consolidar o Brasil ainda imperial. Mas foi na Guerra do Paraguai que seu nome atravessou definitivamente o tempo. Na Batalha de Tuiuti, uma das maiores batalhas campais da América do Sul, Sampaio foi ferido sucessivamente enquanto permanecia comandando seus homens. Não abandonou imediatamente a linha de frente. Permaneceu ao lado da tropa, porque um verdadeiro comandante da Infantaria não apenas ordena o avanço — ele avança junto.

Talvez seja exatamente isso que faça de Sampaio mais do que um herói militar. Ele se tornou símbolo moral da Infantaria brasileira. A representação daquele homem que suporta junto, marcha junto e combate junto.

Por isso, no dia 24 de maio, data de seu nascimento, celebra-se o Dia da Infantaria.

Mas quem passou pela Infantaria sabe que Sampaio não vive apenas nos retratos das organizações militares ou nos discursos das formaturas. Ele vive nas tradições silenciosas transmitidas entre gerações de soldados.

E aqui permito-me abrir uma pequena gaveta da memória.

Nos tempos do meu Curso de Formação de Oficiais R/2 de Infantaria, no velho e inesquecível CPOR, aprendíamos rapidamente que o descanso do infante é sempre relativo. O corpo até dorme, mas o espírito permanece alerta.

Muitas vezes, já de madrugada, éramos surpreendidos pelos instrutores e monitores. O alojamento mergulhado no silêncio. Alguns tentando roubar mais alguns minutos de sono após dias intensos de instrução. E então a voz firme ecoava cortando a madrugada:

— Hoje é dia de Sampaio!

Naquele instante, desaparecia o cansaço. Saltávamos das camas quase mecanicamente. Em poucos minutos, fardamento, equipamento, armamento e preparação para mais uma missão.

Não importava o frio, a chuva ou o horário. “Dia de Sampaio” significava que a Infantaria chamava. E quando a Infantaria chama, o infante responde.

Hoje, olhando para trás, compreendo que aqueles momentos eram muito maiores do que simples exercícios militares. Eles construíam algo invisível dentro de nós. Uma espécie de identidade permanente. Uma irmandade que o tempo não desfaz.

Décadas passam. As fardas envelhecem. Os cabelos embranquecem. Muitos seguem outros caminhos profissionais, familiares e pessoais. Mas existe algo que jamais abandona um homem que passou pela Infantaria.

Porque o homem pode até sair da Infantaria.

Mas a Infantaria jamais sai do homem.

Alexandre Teixeira G. de Castilhos Rodrigues, advogado e escritor – castilhosadv@gmail.com – @castilhosadv;

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Leocildo
24 de maio de 2026 09:13

IN FAN TA RIA…….. ataca, massacra, impõe o seu valor. Não tem medo da morte,ao inimigo toca horror.
Eu sou de infantaria, nosso lema é VIBRAÇÃO. Estamos SEMPRE prontos pra cumprir QUALQUER missão.
INFANTARIA…. BRASIL.

Parabéns pela coluna
Viva Sampaio, viva a Infantaria e viva o Brasil.

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