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Política Santa Catarina vai à Justiça contra Lula por falas que teriam associado o Estado ao racismo

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Segundo o governo catarinense, Lula fez uma fala considerada xenofóbica ao comentar a política de cotas raciais no Estado. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo de Santa Catarina anunciou na quinta-feira (26) que ingressou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por declarações feitas durante visita a Itajaí, no litoral norte do Estado. Segundo o governo catarinense, Lula fez uma fala considerada xenofóbica ao comentar a política de cotas raciais e criticar posicionamentos do governador Jorginho Mello (PL).

A administração estadual afirma que o presidente insinuou que os catarinenses seriam racistas, se considerariam superiores a moradores de outros estados e citou o ditador Adolf Hitler durante o discurso.

Para o governador Jorginho Mello, as declarações extrapolaram os limites da disputa política.

“Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso”, afirmou.

A fala de Lula ocorreu durante um evento federal em Itajaí. Na ocasião, o presidente criticou a oposição às políticas de cotas raciais e ironizou a ausência de Jorginho Mello, um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entre os governadores.

Em seu discurso, Lula relacionou a resistência às políticas afirmativas a preconceitos históricos e citou Hitler ao abordar o tema do racismo.

“Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo”, disse o petista. “Não tem um cara que é branco e é melhor do que qualquer negro, o cara que é nordestino e é pior do que qualquer um do fundo do país. Que história que é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou”, completou.

Ao justificar a medida judicial, o governo catarinense destacou dados migratórios para rebater o que considera uma generalização contra a população do estado.

Segundo a gestão estadual, Santa Catarina foi o estado que mais recebeu migrantes de outras unidades da federação nos últimos dez anos, com mais de 500 mil novos moradores.

“Só o fato de Santa Catarina ser o estado que mais acolhe brasileiros de outras regiões já desmonta essa fala criminosa do presidente Lula. Se aqui fosse esse lugar de preconceito que ele tentou pintar, por que tanta gente escolheria Santa Catarina para viver, trabalhar, criar seus filhos e fugir da violência e da desigualdade?”, questionou Jorginho Mello.

Em nota, o governo estadual afirmou que a declaração do presidente reforça um discurso discriminatório contra Santa Catarina e os catarinenses, motivo pelo qual decidiu acionar as instituições competentes.

Até o momento, a Presidência da República não comentou o anúncio da representação apresentada pelo governo catarinense à PGR. As informações são da Jovem Pan.

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