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Por Redação O Sul | 18 de março de 2021
São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná são os Estados com a maior parcela do território coberta por áreas agrícolas, de acordo com os dados da pesquisa de Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relativos ao ano de 2018.
Com a maior produção agrícola do país, São Paulo tem 40,82% de sua superfície de quase 250 mil quilômetros quadrados ocupada por essas áreas. Destacam-se entre os primeiros do ranking nacional também Rio Grande do Sul (35,99%) e Paraná (35,92%).
Já Goiás é o Estado com maior presença das pastagens com manejos, que representavam 44,79% do seu território em 2018. Essa participação expressiva não é um fenômeno recente, embora tenha avançado: já era de 39,28% em 2000.
Mato Grosso do Sul e Rondônia são os outros dois Estados com maior parcela do território com pastagens, mas o movimento observado foi diferente no período entre 2000 e 2018. No Mato Grosso do Sul, essa parcela era de 41,98% em 2018, abaixo dos 43,78% de 2000. Já Rondônia viveu uma expansão significativa da fatia do território ocupado por pastagens, de 15,86% em 2000 para 29,85% em 2018.
Amazonas permanece como o Estado com maior cobertura de vegetação florestal, com 91,71%, seguido por Acre (86,57%) e Amapá (78,57%). Apesar de se destacarem em 2018, os três Estados registraram perda de vegetação florestal frente a 2000, quando a parcela ocupada do território era de 92,98%, 91,98% e 79,91%, respectivamente.
No caso da cobertura de vegetação campestre, o ranking é formado por Tocantins (61,73%), Piauí (58,72%) e Rio Grande do Norte (58,35%). A mesma tendência observada entre os líderes em vegetação florestal se repete: os três Estados tiveram retração frente a 2000, quando a parcela ocupada do território era de 70,50%, 62,81% e 63,23%, respectivamente.
Considerando o intervalo de 2000 a 2018, Bahia, Piauí e Maranhão responderam por quase a totalidade (91,74%) da expansão da área agrícola do Nordeste, que passou de 38.188 quilômetros quadrados para 72.767 quilômetros quadrados. Do aumento de 34.579 quilômetros quadrados, 31.722 quilômetros quadrados foram nesses três Estados. Ao mesmo tempo, a vegetação campestre – que no Nordeste se destaca pelo cerrado – teve perda de 8,3% (58.554 quilômetros quadrados), para 646.566 quilômetros quadrados.
O movimento se deve ao forte desenvolvimento agrícola nos últimos anos na região de “Matopiba”, acrônimo que reúne as iniciais dos Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. “O maior destaque no Nordeste é o avanço das áreas agrícolas sobre a vegetação campestre”, ressalta o gerente de Recursos Naturais do IBGE, Fernando Dias.
A Bahia é um exemplo da dinâmica ocorrida na região. A área agrícola no Estado avançou de 2,98% do território em 2000 para 5,58% em 2018. Considerando a mesma base de comparação, a vegetação campestre caiu de 38,12% para 34,36%. Segundo o IBGE, a dinâmica de perda de vegetação nativa na Bahia corresponde, principalmente, à substituição de vegetação campestre por áreas agrícolas e mosaicos campestres e de vegetação florestal por mosaicos florestais e pastagem com manejo.
Dias ressalta, no entanto, que a dinâmica do uso das terras não ocorreu de forma linear ao longo dos 18 anos englobados pela pesquisa (2000 e 2018) e, mais recentemente, há uma redução no ritmo de avanço das áreas agrícolas.
“Na Bahia, tem uma substituição forte do cerrado original, por área agrícola, mas teve uma oscilação da dinâmica, a partir de 2014. Isso pode ter a ver com a oscilação de preços no mercado internacional, mas também porque a área plana com solo favorável à agricultura foi quase totalmente ocupada. Então há a influência também das áreas disponíveis”, explica o gerente do IBGE. As informações são do jornal Valor Econômico.
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