Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de fevereiro de 2026
A saúde mental de adolescentes tem sido submetida a diversos desafios relacionados à chamada “inteligência emocional”, em um mundo hiperconectado e regido pela instantaneidade. Em Porto Alegre, esse cenário motivou o Colégio Anchieta a incluir no componente curricular do Ensino Médio a disciplina “Projeto de Vida”, com foco no incentivo à autorreflexão e expressão por parte dos alunos.
Trata-se de uma estratégia centrada na abordagem de temas que vão desde a gestão emocional até a orientação profissional, por meio de conteúdos e atividades que levam os estudantes a ponderarem sobre si, bem como a respeito de suas escolhas, emoções, dúvidas e expectativas.
Isso inclui o exercício do autocontrole e a comunicação não violenta, bem como os caminhos que podem levar a escolhas profissionais. “Falamos de profissões, claro, mas também de quem o aluno quer ser”, explica o professor Thiago Gruner.
A presença de transtornos mentais é significativa na população em geral, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma pesquisa realizada pelo órgão identificou que 4% da população do planeta sofre do transtorno de ansiedade, índice que tem crescido de modo expressivo nos últimos anos entre menores de 18 anos.
No Brasil, estima-se que cerca de 10% a 20% das crianças e adolescentes apresentam problemas de saúde mental. O dado é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Positividade
O sentimento de urgência provocado pelas redes sociais, por exemplo, é constante para os jovens da chamada “Geração Z”. Nesse contexto, uma mente saudável é essencial para o aprendizado, para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais e para a construção de relações saudáveis.
O tema ganha relevância diante do aumento de casos de ansiedade e sofrimento psíquico nessa etapa da vida, impulsionado por uma série de fatores. Na lista estão aspectos como a rotina intensa e a exposição constante ao ambiente digital.
Conforme o professor Gruner, os jovens da chamada “Geração Z” vivem um desafio maior do que outras gerações ao lidar com o tempo: “Eles estão muito apressados e ansiosos. Estão sempre conectados, mas têm pouca paciência para viver o processo. Nosso trabalho é ajudá-los a retomar o contato com a vida real”.
Essa reflexão ganha força em atividades práticas, como o “Desafio da Primeira Vez”, por meio do qual os alunos são incentivados a enfrentar situações novas. “Um estudante com fobia social conseguiu superar um grande medo. Essas pequenas vitórias são o verdadeiro sentido do projeto”, acrescenta o professor.
Ao longo dos três anos do Ensino Médio, cada estudante deixa registrado seu percurso em uma linha do tempo digital. Ali, podem revisitar seus planos e sonhos, em um exercício de memória e de amadurecimento. “Queremos que o aluno aprenda a se organizar, a cuidar de si e do outro, e a construir sentido para suas escolhas”, resume Gruner.
(Marcello Campos)
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