Terça-feira, 28 de julho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Sauditas receberam comitiva brasileira em 2019 e prometeram investir 10 bilhões de dólares no Brasil, o que não aconteceu

Compartilhe esta notícia:

Sob Bolsonaro, Brasil passou a importar mais da Arábia Saudita. (Foto: José Dias/PR)

O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro promoveu uma aproximação do Brasil com a monarquia da Arábia Saudita, o que impulsionou as trocas comerciais com o país do Oriente Médio nos últimos anos e trouxe a promessa de investimentos que até agora não saíram do papel. A família real saudita deu à comitiva brasileira duas caixas com joias em 2021: uma delas ficou com Bolsonaro, enquanto a outra, com peças avaliadas em R$ 16,5 milhões e que seriam destinadas a Michelle Bolsonaro, foi apreendida pela Receita Federal. O tratamento dado aos presentes está sob investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Bolsonaro visitou Riade, a capital da Arábia Saudita, em outubro de 2019. Na ocasião, foi recebido pelo rei Salman Bin Abdulaziz Al Saud e pelo príncipe regente, Mohammed bin Salman. Os dois países assinaram um acordo para que o Fundo de Investimento Público saudita aplicasse até US$ 10 bilhões em projetos no Brasil. “O governo brasileiro trabalha em conjunto com o fundo na facilitação de iniciativas, continuando a simplificação da legislação e outras ações favoráveis ao crescimento”, declarou Bolsonaro à época.

Passados mais de quatro anos do encontro, até o momento nenhum aporte foi feito. Em 2020, a então secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos, Martha Seillier, apresentou a carteira de projetos do PPI para representantes do fundo saudita, mas ficou só com a promessa de que tudo seria analisado.

Bolsonaro criou, dois meses depois da viagem, um comitê interministerial para a “promoção de comércio e investimentos” entre Brasil e Arábia Saudita. Já no ano passado, a Câmara de Comércio Exterior — órgão ligado ao Ministério da Economia de Paulo Guedes — aprovou a negociação de um acordo de cooperação para facilitar investimentos sauditas.

Os seguidos gestos do governo estimularam o setor empresarial a ampliar os negócios com o país do Oriente Médio, conforme explica o consultor de comércio exterior Michel Alaby, ex-diretor da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. As importações da Arábia Saudita bateram recorde em 2022, chegando a R$ 5,3 bilhões, enquanto as exportações no ano passado atingiram o maior volume em dez anos (R$ 2,9 bilhões). O Brasil era a 40ª nação que mais comprava dos sauditas no fim de 2018, antes de Bolsonaro assumir a Presidência. Atualmente é o 27° maior parceiro do reino.

“Normalmente, essas relações de negócio são pautadas pelo relacionamento entre os governos e depois a iniciativa privada aproveita a deixa. A Arábia Saudita depende muito do Brasil para sua segurança alimentar, importa muita carne de frango, soja, milho e açúcar”, diz Alaby.

Petróleo saudita

A compra de fertilizantes sauditas foi uma das operações que mais tiveram alta no período de governo Bolsonaro: o valor movimentado nessas compras quase triplicou desde 2018, passando de US$ 321 milhões para US$ 867 milhões no ano passado.

O produto que o Brasil mais compra dos sauditas, porém, é o petróleo. No ano passado, foram US$ 3,2 bilhões gastos com o produto saudita, o equivalente a 60% do total desembolsado em compras do país. Os sauditas são o maior exportador de petróleo do mundo e quem mais vende para o Brasil: 32% dos barris que o país importou em 2022 vieram do reino.

Na viagem em que recebeu as joias oferecidas pela família bin Salman, o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, teve encontro com representantes da Saudi Aramco, maior petrolífera do mundo.

O economista Adriano Pires, diretor fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), explica que o Brasil importa petróleo saudita para misturá-lo ao extraído em território nacional em suas refinarias.

“Boa parte do que se extrai no Brasil é um petróleo pesado. A Arábia Saudita tem um petróleo leve de alta qualidade, um dos melhores do mundo, então a gente precisa do produto com essas especificações para fazer gasolina e diesel em maior quantidade. O da Venezuela, por exemplo, é muito pesado, então não resolveria nosso problema”, diz Pires, que vê na guerra da Rússia com a Ucrânia um fator que pode ter impulsionado ainda mais as exportações da Arábia Saudita no último ano.

Na semana passada, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) pediu para o Ministério Público Federal apurar se há relação entre as joias dadas a Bolsonaro pela Arábia Saudita e a concessão de uma refinaria da Bahia, em 2021, para uma empresa controlada por um fundo dos Emirados Árabes Unidos. Especialistas rechaçam essa possibilidade e destacam que, apesar de ambos estarem no Oriente Médio, trata-se de países distintos e com governos independentes.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Lula anuncia programa para financiar produção agrícola indígena
Michelle arruma as malas para se encontrar com Bolsonaro nos Estados Unidos
Pode te interessar