Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

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Política Secretário da Cultura do governo federal faz discurso sobre artes semelhante ao de ministro nazista e causa polêmica

Alvim disse que a semelhança trata-se de uma "coincidência"

Foto: Reprodução
(Foto: Reprodução)

O secretário da Cultura do governo federal, Roberto Alvim, fez um discurso, na quinta-feira (16), semelhante ao do ministro da Propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels. O vídeo com a fala, postado na internet pela Secretaria Especial da Cultura para divulgar o Prêmio Nacional das Artes, provocou polêmica.

Assim como Goebbels havia afirmado em meados do século XX que a “arte alemã da próxima década será heroica” e “imperativa”, Alvim disse que a “arte brasileira da próxima década será heroica” e “imperativa”. Compare os discursos:

Goebbels: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Alvim: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”.

Na manhã desta sexta-feira (18), Alvim afirmou que a semelhança entre as falas foi “apenas uma frase do meu discurso na qual havia uma coincidência retórica”.

A fala de Alvim levou o nome de Goebbels a ser um dos mais citados no Twitter e fez com que centenas de internautas repudiassem a referência nazista e postassem comparações com a propaganda de Hitler. O discurso também recebeu críticas de artistas e políticos.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República informou que o Palácio do Planalto não comentará o vídeo. “O próprio [Alvim] já se manifestou oficialmente. O Planalto não comentará.”

A Conib (Confederação Israelita do Brasil) emitiu uma nota sobre o caso. A entidade afirmou considerar “inaceitável o uso de discurso nazista pelo secretário da Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim”. “Emular a visão do ministro da Propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels, é um sinal assustador da sua visão de cultura, que deve ser combatida e contida”, afirmou a confederação.

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