Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias Após Luciano Huck desistir de disputar à presidência da República, o jogo eleitoral se afunila em nomes tradicionais

Compartilhe esta notícia:

Huck pede que postulante ao Planalto foque em programas de governo.(Foto: Reprodução/Instagram)

A desistência do apresentador Luciano Huck de disputar a eleição presidencial expôs a dificuldade de se construir uma candidatura outsider no País, apesar do apelo popular por nomes de fora da política. O jogo eleitoral afunilou em torno dos partidos tradicionais. PSDB, PT, PMDB e DEM tiraram o dia seguinte ao anúncio de Huck para reavaliar cenários e estudar como ocupar o espaço deixado pelo apresentador.

Huck chegou a 8% da preferência do eleitorado na última pesquisa Datafolha, divulgada este mês. Depois dele, a única candidatura outsider cogitada para 2018 é a do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa. Entretanto, as negociações do magistrado com o PSB patinam e estão a cada dia mais perto de um desfecho como o de Huck.

A disputa para o Planalto se encaminha para uma reedição de pleitos anteriores, cujos protagonistas serão candidatos veteranos, como o ex-presidente Lula, caso se livre da impugnação causada pela condenação em segunda instância, a senadora Marina Silva, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e até o senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Para o cientista político Alberto Almeida, autor dos livros “A cabeça do brasileiro” e “A cabeça do eleitor”, a saída de Huck evidencia como é difícil no sistema político brasileiro colocar de pé a campanha de alguém que não está acostumado com a política.

“A relação do público com o apresentador de TV e com o político é totalmente diferente. Quem entra na carreira política está acostumado com a pressão o tempo todo, com sua vida devassada. O artista só é aplaudido. Surgiram na imprensa denúncias contra Huck. Coisas como essas fazem o novo ficar rapidamente envelhecido”, disse o cientista, ao jornal O Globo.

O cientista político do Insper Carlos Melo destaca, entretanto, que o eleitor ávido por um nome que seja novidade continua existindo. É esse vácuo deixado por Huck que os grandes partidos tentarão ocupar.

“O eleitor continua perdido, esse vazio vai continuar. Esse candidato do centro vai ter que disputar contra o desalento. Hoje, o que as pesquisas mostram é que ainda há espaço para um outsider. O que falta é esse personagem”, ponderou Melo.

Em uma eleição que hoje aparece polarizada entre Lula, representando a esquerda, e o deputado Jair Bolsonaro como líder de um discurso conservador, Alckmin respirou aliviado com a desistência de Huck. Ele é o nome da força política de centro mais bem colocado nas pesquisas, mas ainda não tem garantia de que haverá uma candidatura única desse grupo.

No caminho do tucano reapareceram o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), animado com o espaço aberto por Huck, e, um pouco mais distante, o presidente Michel Temer, que ainda não descartou totalmente uma candidatura à reeleição, especulação que ganhou ainda mais força ontem, depois que o presidente decidiu decretar intervenção no Rio de Janeiro.

A saída de Huck também tem um efeito colateral para Geraldo Alckmin. Sem a concorrência do apresentador, ele passará a ser ainda mais pressionado a ter resultados melhores nas pesquisas de intenções de voto. Hoje, o governador paulista oscila entre 6% e 11%, conforme o cenário avaliado.

Em café da manhã com jornalistas, o presidente da Câmara voltou a usar a metáfora de que há uma “avenida aberta” com a saída de Luciano Huck. “Luciano seria um ótimo candidato, sempre gostou da política. A grande mudança é o fim do ciclo PT e PSDB, e a volta das pessoas querendo participar do debate. Que há uma avenida aberta sem carros na frente, há, e para todo mundo”, avaliou Rodrigo Maia.

Alívio

Aliados de Lula também reagiram com alívio à desistência de Huck. Para dirigentes do partido, a decisão do apresentador beneficia o petista. Eles acreditam que o apresentador seria o único candidato capaz de disputar votos com o ex-presidente no eleitorado popular.

“A saída dele é boa para nós. Ele (Huck) reunia elementos importantes para entrar no eleitorado de periferia e para tentar substituir a esperança que o Lula representa”, afirmou um dirigente do PT.

O PPS, que negociava uma filiação de Huck, tem agora que se definir entre uma candidatura própria, com o senador Cristovam Buarque, ou o apoio a Alckmin. Em março, no congresso da sigla, a tendência deverá ficar mais clara.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

As mulheres agora poderão chegar ao posto de general no Exército brasileiro
Uma proposta de emenda na Constituição brasileira pode dar o direito a voto para 3 milhões de imigrantes
Pode te interessar