Quarta-feira, 27 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias Após Luciano Huck desistir de disputar à presidência da República, o jogo eleitoral se afunila em nomes tradicionais

Compartilhe esta notícia:

Huck pede que postulante ao Planalto foque em programas de governo.(Foto: Reprodução/Instagram)

A desistência do apresentador Luciano Huck de disputar a eleição presidencial expôs a dificuldade de se construir uma candidatura outsider no País, apesar do apelo popular por nomes de fora da política. O jogo eleitoral afunilou em torno dos partidos tradicionais. PSDB, PT, PMDB e DEM tiraram o dia seguinte ao anúncio de Huck para reavaliar cenários e estudar como ocupar o espaço deixado pelo apresentador.

Huck chegou a 8% da preferência do eleitorado na última pesquisa Datafolha, divulgada este mês. Depois dele, a única candidatura outsider cogitada para 2018 é a do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa. Entretanto, as negociações do magistrado com o PSB patinam e estão a cada dia mais perto de um desfecho como o de Huck.

A disputa para o Planalto se encaminha para uma reedição de pleitos anteriores, cujos protagonistas serão candidatos veteranos, como o ex-presidente Lula, caso se livre da impugnação causada pela condenação em segunda instância, a senadora Marina Silva, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e até o senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Para o cientista político Alberto Almeida, autor dos livros “A cabeça do brasileiro” e “A cabeça do eleitor”, a saída de Huck evidencia como é difícil no sistema político brasileiro colocar de pé a campanha de alguém que não está acostumado com a política.

“A relação do público com o apresentador de TV e com o político é totalmente diferente. Quem entra na carreira política está acostumado com a pressão o tempo todo, com sua vida devassada. O artista só é aplaudido. Surgiram na imprensa denúncias contra Huck. Coisas como essas fazem o novo ficar rapidamente envelhecido”, disse o cientista, ao jornal O Globo.

O cientista político do Insper Carlos Melo destaca, entretanto, que o eleitor ávido por um nome que seja novidade continua existindo. É esse vácuo deixado por Huck que os grandes partidos tentarão ocupar.

“O eleitor continua perdido, esse vazio vai continuar. Esse candidato do centro vai ter que disputar contra o desalento. Hoje, o que as pesquisas mostram é que ainda há espaço para um outsider. O que falta é esse personagem”, ponderou Melo.

Em uma eleição que hoje aparece polarizada entre Lula, representando a esquerda, e o deputado Jair Bolsonaro como líder de um discurso conservador, Alckmin respirou aliviado com a desistência de Huck. Ele é o nome da força política de centro mais bem colocado nas pesquisas, mas ainda não tem garantia de que haverá uma candidatura única desse grupo.

No caminho do tucano reapareceram o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), animado com o espaço aberto por Huck, e, um pouco mais distante, o presidente Michel Temer, que ainda não descartou totalmente uma candidatura à reeleição, especulação que ganhou ainda mais força ontem, depois que o presidente decidiu decretar intervenção no Rio de Janeiro.

A saída de Huck também tem um efeito colateral para Geraldo Alckmin. Sem a concorrência do apresentador, ele passará a ser ainda mais pressionado a ter resultados melhores nas pesquisas de intenções de voto. Hoje, o governador paulista oscila entre 6% e 11%, conforme o cenário avaliado.

Em café da manhã com jornalistas, o presidente da Câmara voltou a usar a metáfora de que há uma “avenida aberta” com a saída de Luciano Huck. “Luciano seria um ótimo candidato, sempre gostou da política. A grande mudança é o fim do ciclo PT e PSDB, e a volta das pessoas querendo participar do debate. Que há uma avenida aberta sem carros na frente, há, e para todo mundo”, avaliou Rodrigo Maia.

Alívio

Aliados de Lula também reagiram com alívio à desistência de Huck. Para dirigentes do partido, a decisão do apresentador beneficia o petista. Eles acreditam que o apresentador seria o único candidato capaz de disputar votos com o ex-presidente no eleitorado popular.

“A saída dele é boa para nós. Ele (Huck) reunia elementos importantes para entrar no eleitorado de periferia e para tentar substituir a esperança que o Lula representa”, afirmou um dirigente do PT.

O PPS, que negociava uma filiação de Huck, tem agora que se definir entre uma candidatura própria, com o senador Cristovam Buarque, ou o apoio a Alckmin. Em março, no congresso da sigla, a tendência deverá ficar mais clara.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

José Carlos Bumlai e Lula
Defesa de Lula diz que Bumlai ofereceu reforma de sítio
Uma proposta de emenda na Constituição brasileira pode dar o direito a voto para 3 milhões de imigrantes
Pode te interessar