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Política Sérgio Moro descarta candidatura ao Senado e só deve sair em 2022 se for para presidente

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A tendência de baixa nos apoiadores digitais começou após o senador ser fotografado abraçando Flávio Dino. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Nas conversas que teve nos últimos dias sobre uma possível candidatura em
2022, Sérgio Moro indicou a interlocutores que prefere ficar fora da corrida
se não for para encabeçar uma chapa presidencial. Uma ideia que chegou a
ser discutida era a possibilidade de ele disputar o Senado, seja pelo Paraná
ou por São Paulo. Mas a sugestão já foi descartada, segundo pessoas que
estiveram com o ex-ministro da Justiça. Um possível posto de vice também
não agradou.

Cotado para disputar a eleição pela chamada “terceira via”, Sergio Moro desembarcou no Brasil na semana passada para iniciar as tratativas sobre o pleito de 2022. Aos políticos com os quais já conversou, o ex-juiz da Lava-Jato deu um prazo para poder detalhar suas pretensões políticas: novembro, quando encerra o contrato de consultoria com a empresa Alvarez & Marsal, nos Estados Unidos.

Na visão de alguns políticos, Moro teria mais facilidade de se eleger ao Senado disputando pelo Estado do Paraná do que chegar ao Planalto, já que tem dificuldade de penetração tanto na esquerda quanto na direita ligada a Bolsonaro.

Moro se reuniu com representantes do Podemos, em Curitiba. Nesta quarta-feira (29), o ex-ministro da Justiça terá um encontro com Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), ex-ministro da Saúde, em São Paulo. Ambos deixaram o governo após embates com Jair Bolsonaro e estão cotados para buscar os votos dos descontentes tanto com o atual presidente quanto com o ex Luiz Inácio Lula da Silva, líderes nas pesquisas de intenção de voto.

Enquanto Mandetta é uma das apostas do DEM, que encaminhou a fusão com o PSL, Moro é cortejado por partidos como o Podemos, que lançou o senador Álvaro Dias (PR) na última eleição ao Planalto.

“Deixamos Moro livre para tomar a decisão dele em relação a disputar a Presidência. Ele nos disse que, por uma questão de ética devido ao contrato em curso, não seria correto fazer uma inserção na política antes de encerrar o trabalho”, relatou Álvaro Dias.

Na reunião com integrantes do Podemos, Moro criticou a lentidão do governo para alinhavar e enviar ao Congresso reformas estruturantes, como a tributária. Também se queixou do projeto, em análise pelo Senado, que altera a Lei da Improbidade Administrativa para diminuir o rigor a agentes públicos que incorrerem nas irregularidades previstas no texto. Esse projeto chegou ao Senado em junho, após ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

O conteúdo tem sido criticado, entre outros pontos, por prever que gestores só sejam punidos caso seja comprovada a intenção de dano ao erário, ou seja, se comprovada a intenção de desviar recursos. Bolsonaro, por sua vez, já deu declaração a favor da nova Lei de Improbidade afirmando que, se aprovada pelo Senado, será por ele sancionada.

Moro, que além de Curitiba e São Paulo tem previsão de agendas em Brasília, pretende lançar em novembro, perto do período no qual terminará seu contrato, um livro contanto bastidores de sua trajetória profissional, retratando inclusive episódios e atritos de quando foi ministro da Justiça na gestão de Bolsonaro. Para aliados, esse é um indicativo de que ele não prorrogará seu contrato nos Estados Unidos e entrará de vez no pleito de 2022.

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