Quinta-feira, 11 de junho de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
16°
Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Sete em cada dez pacientes com coronavírus em UTIs no Reino Unido são obesos

Compartilhe esta notícia:

O Reino Unido superou a barreira de mil mortes por coronavírus. Neste domingo (29), o número de óbitos era de 1.228. (Foto: Reprodução)

Sete em cada dez pacientes graves com coronavírus são obesos ou estão acima do peso, revela dados do serviço de saúde inglês, o NHS, obtidos a partir de admissões nos centros de cuidados intensivos no Reino Unido.

Foram analisados 196 pacientes internados entre segunda (16) e quinta (19) da semana passada. Desses pacientes, 16 morreram.

O estudo, liderado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Auditoria em Terapia Intensiva, mostra que 71,7% dos que estão nas UTIs por Covid-19 têm excesso de peso — na população adulta em geral, a taxa é de 64%.

Outra informação que chama atenção no levantamento: perto de 40% dos doentes estão na faixa etária idade abaixo de 60 anos.

No Brasil, onde 55,7% da população adulta está com excesso de peso e 19,8% é obesa, alguns serviços de saúde já começam a perceber uma possível associação entre obesidade e quadros mais graves de infecção por coronavírus.

“Ainda é só uma impressão, não temos dados definitivos para dizer que há uma associação clara. Alguns colegas começaram a notar isso, mas não é geral, aparece mais em pessoas mais jovens e obesas. Não é regra entre os idosos”, afirma o infectologista Esper Kallás, professor da USP.

Segundo ele, talvez haja alguma alteração comum entre esse grupo (jovens obesos) e idosos, ainda não muito bem compreendida.

Uma hipótese, diz o infectologista, é que essas alterações estejam no que se chama de resposta inata. “Não é uma coisa construída com anticorpos, com imunidade celular, mas sim algo que está presente no germe. Cabe uma reflexão para a gente entender melhor porque essas pessoas [jovens obesos] vão pior.”

Não é a primeira vez que a relação entre obesidade e infecção viral é estabelecida. Um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a pandemia do H1N1 em 2009, já relatava uma associação entre a obesidade e os quadros mais graves da doença. A publicação envolveu uma revisão de resultados de 70 mil laboratórios de 20 países.

A obesidade é uma doença crônica que envolve um inflamação contínua do corpo, que é o que leva ao aparecimento de inúmeras doenças como diabetes, hipertensão e até o certos tipos de tumores.

Essa inflamação tem influência direta sobre o sistema imunológico, principalmente sobre as células adiposas, segundo o cirurgião bariátrico Caetano Marchesini, pesquisador e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

“Os adipócitos, células especializadas em acumular gorduras no corpo, tomam volume e começam a comprometer a circulação do sangue que as supre de oxigênio. Isso causa uma hipóxia, morte celular com liberação de ácidos graxos na circulação, levando a uma resposta inflamatória com ativação de vários mecanismos que comprometem a imunidade dos pacientes.”

Outra hipótese é que a obesidade promova defeitos no sistema imunológico alterando a contagem de leucócitos, além da resposta dessas células a condições infecciosas.

Entre as explicações estão o aumento da produção de um hormônio chamado leptina e a diminuição de outro, a adiponectina. O primeiro promove inflamação e o segundo é um hormônio anti-inflamatório. O aumento da leptina tem efeito direto sobre as células imunológicas.

Segundo Marchesini, as recomendações e os cuidados nesse momento de pandemia não mudam para pessoas obesas, mas precisam ser reforçados. “Pacientes com obesidade devem tomar ainda mais cuidado para não se contaminarem.”

A pesquisa britânica também mostra que a média dos pacientes graves com coronavírus é de 63 anos, e sete em cada dez casos são de homens. Pouco mais de 10% dos pacientes estudados tinham condições de saúde mais sérias — 4%, com problemas renais, 3% com doenças pulmonares e 3,7% eram imunodeprimidos.

As atuais políticas de enfrentamento do coronavírus no Reino Unido e em outros países têm priorizado pessoas com idade média de 70 anos, que sejam frágeis e tenham doenças associadas.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Uma moça de 21 anos, sem problemas de saúde, morre na Inglaterra devido ao coronavírus
Um estudo diz que metade da população do Reino Unido pode já ter tido a doença ocasionada pela infecção por coronavírus
Pode te interessar