Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de janeiro de 2018
Em uma coletiva de imprensa nessa segunda-feira, a Polícia Civil divulgou os detalhes do crime envolvendo duas crianças cujos corpos foram encontrados esquartejados no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, em setembro.
De acordo com o delegado Moacir Firmino, tudo está relacionado com um ritual de magia negra envolvendo sete pessoas. Quatro delas já estão presas preventivamente por ordem da Justiça e outras três são alvo de mandados de prisão preventiva. Dentre os detidos estão Silvio Fernandes Rodrigues (suposto líder do culto), Márcio Miranda Brustolin e o empresário Jair da Silva e o seu filho Andrei Jorge da Silva.
Seguem foragidos Anderson da Silva (também filho de Jair), o empresário Paulo Ademir Norbert da Silva e o argentino Jorge Adrian Alves. Norbert da Silva é sócio de Jair da Silva no ramo imobiliário. Segundo a polícia, Paulo apresentou o “bruxo” para Jair, que encomendou um ritual para alcançar “prosperidade nos negócios”. Além de R$ 25 mil, o líder da cerimônia teria pedido duas crianças de mesmo sangue, para um sacrifício com a participação de sete pessoas.
O argentino Jorge Adrian Alves ficou responsável por conseguir os menores para o sacrifício. Por isso a polícia suspeita que os irmãos eram naturais de uma região pobre da Argentina. Eles teriam sido trocados por um caminhão roubado, de acordo com o delegado.
No ritual, os menores teriam sido alcoolizados e depois decapitados – existe, ainda, a suspeita de abuso sexual. Durante as buscas no templo, localizado em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a Polícia apreendeu uma capa e uma máscara supostamente utilizadas no ritual.
Polêmica
O delegado Moacir Firmino assumiu o caso em razão das férias do delegado Rogerio Baggio, que lidera as investigações desde o início. Questionado sobre como chegou aos suspeitos, Firmino creditou o feito a uma “revelação feita por dois profetas”.
O diretor do Departamento de Policia Metropolitana, delegado Fábio Motta Lopes, elogiou a fé do colega mas esclareceu que há elementos que comprovam a versão de ritual satânico. Ele citou como exemplo uma testemunha-chave, que trabalhava em uma obra no local onde ocorreu o crime – ela retornou para buscar materiais esquecidos na obra e presenciou parte da sessão de magia negra.
Conforme o juiz responsável pelo caso, em nenhum momento houve referência a “revelações” no expediente que recebeu do delegado Firmino. Ele ressaltou que o material elaborado pela Polícia Civil estava muito consistente e que, por isso, determinou a prisão dos suspeitos.
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