Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de julho de 2015
O jornal britânico Financial Times publicou um duro editorial sobre a crise política e econômica no Brasil. Com o título “Recessão e politicagem: a crescente podridão no Brasil”, o texto diz que a “incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia” do País. O periódico afirma que os recentes fatos levam o Brasil a ser comparado com um “filme de terror sem fim” e que, diante do risco de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, “tempos piores ainda podem estar por vir”. O jornal reconhece, porém, que as instituições brasileiras têm mostrado força e exalta a prisão de executivos das maiores construtoras brasileiras.
“Incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia do Brasil. Combinado com o fim do boom das commodities, tudo isso tem levado a oitava maior economia do mundo para uma recessão profunda. O escândalo de corrupção na Petrobras só agrava a podridão. Mais de 50 políticos e dezenas de empresários estão sob investigação por terem levado 2,1 bilhões de dólares em propinas. Luiz Inácio Lula da Silva foi indiciado sob a acusação de tráfico de influência. Há cada vez mais rumores de que a presidenta Dilma Rousseff, no sétimo mês do segundo mandato, pode ser cassada. Isso ainda parece improvável, mas a probabilidade cresce a cada dia”, diz o editorial desta quinta-feira (23).
O texto enumera dois motivos para a piora do quadro. Primeiro, a volta atrás na economia após a má sucedida experiência com a “nova matriz econômica”. “A maior razão, no entanto, é o escândalo de corrupção. Embora ela tenha presidido o conselho da Petrobras entre 2003 e 2010, poucos acreditam que Rousseff é realmente corrupta. Isso não significa, porém, que ela esteja segura. Dilma enfrenta acusações de que seu governo quebrou regras de financiamento de campanha e adulterou contas do governo, ambos motivos para impeachment.”
O editorial reconhece que, por ora, políticos brasileiros têm preferido que a presidenta continue no poder. “Mas esse cálculo pode mudar à medida que eles tentam salvar suas peles”, avaliou o Financial Times. (AE)
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