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Ciência Sonda da Nasa busca vida extraterrestre nas luas de Júpiter

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Sonda Juno passa diante de Jupiter. (Foto: Nasa)

Há poucos dias, a sonda Juno, da Nasa, sobrevoou Ganimedes, a maior lua do sistema solar, que orbita Júpiter e tem seu próprio campo magnético alimentado por um núcleo de metal fundido escondido sob uma camada de gelo permanente de 800 km de espessura.

A sonda fez o mais próximo sobrevoo deste gigante gelado nos últimos 21 anos e tirou algumas das imagens de maior resolução já feitas deste satélite, incluindo seu lado mais distante. Este ambiente remoto e violento das luas de Júpiter é provavelmente o melhor lugar para se encontrar vida alienígena no sistema solar.

“Se tomarmos as decisões corretas, poderemos confirmar a existência de vida em uma dessas luas em cerca de 20 anos”, diz Lucas Paganini, engenheiro argentino nascido em Mendoza há 41 anos e líder na exploração do Sistema Solar na Nasa e cientista do programa para a missão Juno.

Esta missão explora um dos lugares mais perigosos de nossa vizinhança cósmica. Júpiter é o maior planeta orbitando o Sol. Suas camadas internas agem como um dínamo enorme, gerando grande radiação de partículas carregadas que atingem constantemente a armadura de titânio da nave.

Paganini lembra que o objetivo principal da missão era focar no estudo de Júpiter e voar pela primeira vez sobre seus pólos. Concluída sua missão “oficial”, a Nasa aprovou uma extensão de suas operações até setembro de 2025, se é que a veterana sonda será capaz de aguentar até lá.

“É muito interessante ver como essa radiação começa a afetar os instrumentos de bordo”, destaca Paganini. “Pode significar a perda de alguns deles, mas é um conhecimento essencial para desenhar nossas próximas missões”, acrescenta.

A espaçonave planeja voar sobre Ganimedes em 21 de julho e, na sequência, direcionar suas câmeras para Europa, outro satélite de Júpiter ainda mais propício para a busca de vida. A primeira vez que a humanidade viu Europa de perto foi graças à espaçonave Voyager, que há 40 anos exibia sua superfície gelada coberta com listras avermelhadas.

Muitos anos depois, a equipe de Paganini usou um dos maiores telescópios ópticos da Terra, localizado no topo de um vulcão havaiano, para analisar os gases presentes naquela lua. Em um estudo histórico, eles confirmaram que havia vapor de água e que poderia vir do oceano salino escondido atrás de uma espessa camada de gelo com vários quilômetros de espessura.

Na Europa, o oceano subterrâneo pode reunir todas as condições para os seres vivos habitarem: água em contato com rochas, energia, compostos essenciais para a vida e o tempo. Júpiter foi o primeiro planeta a se formar após o nascimento do Sol, cerca de 5 bilhões de anos atrás. Europa e Ganimedes apareceram logo depois dos escombros que cercam o planeta gigante.

“Na verdade, sabemos muito pouco sobre a história de como Europa e o resto das luas de Júpiter se formaram”, disse Scott Bolton, o cientista-chefe de Juno, ao El País. “O que sabemos é que este ambiente é como um sistema solar em miniatura, onde a força gravitacional de Júpiter faz com que Europa se deforme, e isso gera calor em seu interior. Também existe a possibilidade de que no interior do oceano existam fontes hidrotermais, lugares que na Terra estão cheios de micróbios apesar de estarem em total escuridão”, destaca.

A espaçonave americana planeja sobrevoar Europa em 2022 a apenas 320 km da superfície. A última vez que uma espaçonave passou tão perto desta lua foi há 21 anos, durante a missão Galileo. Juno planeja mapear a superfície congelada para comparar suas imagens muito mais detalhadas com as de seu antecessor e descobrir se houve mudanças que possam indicar processos hidrológicos.

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