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Você viu? SpaceX está contratando um engenheiro médico espacial

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Fenômeno, também chamado ejeção de massa coronal, foi responsável por puxar de volta os satélites para a Terra. (Foto: Reprodução)

Nos primórdios da exploração espacial era incerto sequer se astronautas conseguiriam sobreviver ao ambiente de microgravidade. A experiência com aviões de alta performance não foi suficiente, e com isso os médicos aeronáuticos digivoluiram para médicos aeroespaciais e em sua forma final, o médicos espacial.

As incógnitas eram muitas. Alguns achavam que os astronautas não seriam capazes de respirar, com o fluído nos pulmões flutuando e causando edemas. Outras questões eram psicológicas. Como no espaço você está literalmente caindo, houve quem imaginasse que os astronautas entrariam e pânico e se tornariam insanos com a sensação contínua de queda.

Tudo isso e muito mais teve que ser estudado em vôos parabólicos com o Cometa Vômito, e toda uma tecnologia teve que ser criada para monitorar os astronautas, nem sempre em prol do conforto deles.

A parte médica é onde há menos glamour em toda a exploração espacial, que o diga Alan Shepard. Em 5 de Maio de 1961, no vôo da Mercury 1 ele passou por problemas sérios, a começar pelos equipamentos.

Shepard estava equipado com medidores de respiração, eletrodos para eletrocardiograma e um com toda, total e completa certeza incômodo termômetro retal. Isso mesmo, o primeiro americano a ir ao espaço viajou com um termômetro preso no ânus.

Depois de cinco lançamentos trocaram de orifício e passaram a usar a orelha.

Para piorar, 20 minutos antes do lançamento Alan Shepard sentiu uma incontrolável vontade de fazer o número 1. Seu traje espacial era um traje de grande altitude modificado, ainda sem a sofisticação de usar fraldas, então a solução era sair rapidinho e procurar um banheiro.

Werner Von Braun foi categórico: NÃO. O atraso seria considerável, levando em conta o tempo pra desconectar e desprender Shepard do assento, achar banheiro, correr de volta. Shepard então pediu permissão pra fazer ali mesmo, no traje. “NÃO”, respondeu Von Braun, aparentemente desconhecendo o básico da fisiologia humana.

A preocupação era que os vários sensores dentro do traje se molhassem e entrassem em curto. Isso é especialmente preocupante se pensarmos no termômetro retal.

Sem nem conseguir trançar as pernas, Shepard deu uma última sugestão: A NASA desligaria os sensores, ele faria o que tinha que fazer, e depois religariam. Toparam, Shepard se aliviou imensamente, até perceber que como estava deitado, a gravidade fez o líquido escorrer e se acumular em suas costas.

Isso mesmo, o primeiro americano foi ao espaço com as costas molhadas e quentinhas, que nem aquela parte bem rasa da piscina do clube, onde a gente lava o pé e também é urina pura.

A SpaceX está nessa fase, provavelmente sem o termômetro retal, mas focados em criar sistemas de monitoramento, que com toda certeza será wireless, vide a experiência com os chips Neuralink.

O projeto como um todo, parece bem futurista, a cara da SpaceX, conforme o anúncio colocado no Linkedin uns dias atrás. Eles estão procurando um engenheiro médico espacial, com responsabilidades bem amplas.

Ele agirá como interface entre a SpaceX e clientes com demandas na área médica, definindo a viabilidade de experimentos e vôos.

Pesquisará junto com outras equipes efeitos de viagens espaciais de longa duração, coordenando coleta de dados e mitigando os eventuais problemas de saúde surgidos disso.mProjetará e coordenará a integração das áreas técnica, operacional e de programação, para o setor de medicinal espacial nos futuros lançamentos.

O profissional que eles querem precisa, como requisitos básicos, de experiência acadêmica ou real em medicina espacial, um mestrado em engenharia, ser doutor em Medicina com pelo menos 2 anos de experiência em hospital.

A parte mais excitante do anúncio é que entre as responsabilidades do engenheiro médico, está:

“Trabalhar com as várias equipes para projetar, integrar e implementar um sistema médico do futuro”.

Isso faz sentido. Médicos em navios, civis ou militares tratam de emergências, sua principal função é estabilizar o paciente até que ele possa ser transferido para terra. Um médico espacial teria a mesma limitação.

Não é nem culpa deles. Medicina é uma área imensa, com mais de 135 especialidades e subespecialidades, um cardiologista nunca saberá o que um dermatologista sabe, e o melhor urologista do mundo não pode ajudar se o sujeito precisar de um otorrino, a não ser que seja pra remover um termômetro preso na orelha.

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