Quinta-feira, 06 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 2 de fevereiro de 2019
O número de corpos retirados da lama na tragédia de Brumadinho voltou a crescer neste sábado (2). Já são 121 mortos, seis a mais que na sexta (1º). Destes, 93 corpos foram identificados pelo IML. Seguem ainda desaparecidos 226 pessoas.
Segundo o corpo de bombeiros, no fim da tarde de sexta-feira (1º), foi localizado o vestiário da mineradora. Foram identificados armários e mesas que batem com fotos anteriores do local.
A expectativa dos bombeiros é de que nesta área sejam encontrados novos corpos. Cães farejadores também encontraram sinais de odor de corpos no local, o que reforça a expectativa dos bombeiros.
Os bombeiros começam a utilizar também máquinas pesadas para auxiliar a retirada de lama.
Segundo a corporação, a descoberta de novos corpos deve ser mais lenta daqui para frente, devido a dificuldade nas escavações da lama. Os militares, porém, dizem que seguirão nas buscas por tempo indeterminado até o encontro de todas as vítimas.
Vale instala membrana de contenção no rio Paraopeba
A Vale instalou neste sábado (2) a primeira membrana de contenção no rio Paraopeba, contaminado por rejeitos após rompimento de barragem em Brumadinho (MG).
A barreira de contenção foi instalada próxima a um sistema de captação de água da cidade de Pará de Minas, a 40 km de Brumadinho.
A previsão é que outras duas barreiras estejam instaladas até este domingo.
Em nota, a empresa disse que é uma medida preventiva para garantir o abastecimento de água do município.
Empresa que atestou segurança de barragem atuou na Vale, diz jornal
A empresa que atestou a segurança da barragem que se rompeu em Brumadinho prestou também serviços de consultoria para a Vale, segundo o The Wall Street Journal, o que configuraria conflito de interesses.
O jornal afirma que funcionários da Tüv Süd Brasil atuaram como consultores para o descomissionamento de minas da Vale.
Também teriam feito relatórios de pesquisa com a empresa e participado de conferências com trabalhadores da mineradora.
Fiscais de segurança de barragens, seguindo padrões internacionais, devem mostrar independência em relação ao cliente.
A reportagem diz que, apesar disso, é comum que companhias assumam o papel duplo de consultoras e fiscais de segurança no Brasil.
Empresas nos Estados Unidos são proibidas por lei de oferecer várias formas de consultoria para empresas cujas demonstrações financeiras auditam.
No Canadá, que também tem uma grande atividade de mineração, as diretrizes sugerem que auditorias externas devem ser realizadas por organizações independentes e sem viés.
Na última terça (29), uma operação conjunta do Ministério Público de Minas Gerais, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal levou à prisão dos engenheiros da Tüv Süd Brasil André Yum Yassuda e Makoto Namba e dos funcionários da Vale César Augusto Paulino Grandchamp, Ricardo de Oliveira e Rodrigo Arthur Gomes.
Após o rompimento da barragem, a validade dos laudos que atestaram a segurança da estrutura foram questionados. Um deles dizia que o risco da Barragem I, da mina do Córrego do Feijão, era baixo, embora afirmasse que o dano potencial seria alto.
A investigação deve apurar se os documentos foram fraudados ou se houve imperícia ou negligência no processo de vistoria.
Em 2018, Namba, venceu um prêmio por um projeto de gestão de risco geotécnico (aplicação técnica de pesquisas geológicas) de barragens de rejeito, concedido pela ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica). Foi concedido a uma equipe de seis engenheiros, da qual Namba faz parte, pelo estudo de caso da barragem de Itabiruçu, em Itabira (MG, a 160 km de Brumadinho).
A barragem da Mina Córrego do Feijão não recebia novos rejeitos de minério desde 2015 e seria desativada de forma definitiva. A licença para o reaproveitamento dos rejeitos e o encerramento das atividades foi obtida em dezembro.
Uma porta-voz da Vale afirmou ao Wall Street Journal por email que a Tüv Süd Brasil trabalha como auditora externa para a companhia, o que significa que é independente, mas não respondeu ao questionamento sobre o conflito de interesses.
Também disse que a barragem de Brumadinho foi inspecionada repetidamente e que foi fiscalizada por outras empresas, inclusive pela Vale, que afirmou em janeiro que a estrutura não corria risco de rompimento.
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