Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de dezembro de 2019
Ser demitido é uma das situações mais estressantes que há. Se você já passou por isso, sabe o pânico que pode causar — preocupações com renda, carreira e, em alguns países, cuidados com a saúde.
Mas e se ser despedido fosse a melhor coisa que já aconteceu com você? E não graças à boa sorte, mas porque havia um sistema desenvolvido especificamente para desenvolver seu potencial e levá-lo a um trabalho melhor do que o anterior?
Essa é a promessa do “sistema de transição” da Suécia, um serviço privado de assistência social para trabalhadores que ficaram desempregados recentemente devido à redundância (quando as vagas são fechadas porque já não há mais a necessidade de um empregado para realizar aquele trabalho).
As empresas pagam por “conselhos de segurança do trabalho” que fornecem treinadores qualificados para motivar o trabalhador e combinar suas habilidades e ambições com o que há disponível no mercado. Existem 16 dessas organizações, cada uma cobrindo um setor diferente da economia e encarregada de encontrar vagas para trabalhadores que perderam seus empregos por razões econômicas.
Como resultado, a Suécia tem as melhores taxas de reemprego do mundo desenvolvido — cerca de 90% dos trabalhadores demitidos estão de volta ao trabalho dentro de um ano, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso é drasticamente maior do que os índices de França e Portugal, por exemplo, que reinserem apenas cerca de 30% dos trabalhadores no ano, segundo a OCDE.
Eva, de 24 anos, descobriu o serviço recentemente. Ela deixou a faculdade como designer gráfica em 2016. Seu trabalho em Estocolmo estava indo bem, e sua carreira parecia ter começado com vigor. Mas no início de 2019, a empresa anunciou que teria que fazer cortes devido a redundâncias. O clima no trabalho azedou e seus colegas ficaram ansiosos. Ela começou a perder o sono e a se preocupar constantemente com o futuro — até seu namorado notou uma mudança acentuada em seu comportamento.
Em conversas com colegas, Eva ouviu falar pela primeira vez do conselho de segurança. A empresa estava coberta por ele, o que significa que um coach pessoal foi automaticamente designado a ela antes de sua demissão, em junho. O sistema entra em ação assim que as demissões são anunciadas, para acelerar o processo de recontratação.
O coach viu uma lacuna no currículo de Eva: a tecnologia avançou e ela precisava melhorar sua formação. O conselho pagou para que ela fizesse um curso de oito semanas em motion graphics (técnica de animação) na Berghs School of Communication, em Estocolmo.
Além disso, o orientador de trabalho de Eva lhe ensinou técnicas de entrevista que aumentaram sua confiança. As ofertas logo começaram a chegar. Depois de 15 rejeições, ela se destacou entre 150 candidatos e conseguiu um novo emprego, a partir de janeiro de 2020, com um salário significativamente maior do que o anterior.
“Eu estou tão feliz. Acho que teria conseguido um emprego eventualmente sem o conselho, mas, graças a eles, foi uma ótima experiência”, diz Eva, que não quis dar seu sobrenome, citando preocupações de que seu novo empregador possa entender mal seus motivos para falar com a mídia. “Eu me senti mais segura com toda a situação. Eu sabia que não estava sozinha, sempre podia conversar com meu orientador.”
Como Eva, a maioria dos suecos que passam pelo sistema de transição é contratada novamente dentro de seis meses. E, de acordo com os dados da OCDE, os trabalhadores suecos com menos de 30 anos realmente veem seus ganhos aumentarem após serem demitidos.
“A maioria das pessoas que vêm até nós e conseguem um novo emprego acham que a demissão foi o começo de algo muito bom”, diz Erica Sundberg, chefe regional da TRR, em Estocolmo, um dos maiores conselhos de segurança no trabalho que abrange trabalhadores em funções administrativas.
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