Sexta-feira, 05 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de outubro de 2018
Cesar Sayoc, preso nesta sexta-feira (26) e suspeito de enviar 13 pacotes com explosivos para políticos ligados ao Partido Democrata e outros críticos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi acusado de cinco crimes federais e poderá ser condenado a até 48 anos de prisão.
Segundo o procurador geral, Jeff Sessions, Sayoc irá responder a acusações por transporte interestadual de explosivo, envio ilegal de explosivo, ameaças contra ex-presidentes, ameaça ao comércio interestadual e ataque a oficiais federais e ex-oficiais. Sessions chegou a dizer que a pena seria de até 58 anos, mas depois o Departamento de Justiça corrigiu o número.
“As acusações podem mudar ou ser ampliadas à medida que a investigação avance, mas queremos também ressaltar que qualquer pessoa é inocente até que se prove sua culpa”, declarou Sessions em uma entrevista coletiva na tarde desta sexta.
De acordo com o diretor do FBI, Christopher Wray, a identificação de Sayoc foi possível inicialmente graças a uma digital encontrada no pacote enviado à deputada democrata Maxine Waters, na Califórnia. Além disso, seu DNA também estava presente em outros pacotes.
Wray detalhou ainda que os pacotes continham dispositivos construídos com canos de PVC de cerca de 15 centímetros, um pequeno bloco, uma bateria, e material energético potencialmente explosivo. Segundo o diretor do FBI, o material explodiria se exposto à combinação ideal de calor, choque ou fricção. “Eram explosivos reais”, garantiu.
Segundo a rede CNN, Cesar Sayoc tem 56 anos, mora na Flórida e foi detido várias vezes desde o início dos anos 90. Em 2002, foi preso por “ameaça de bomba” e “ameaça de descarregar dispositivo destrutivo”, de acordo com registros do Departamento de Polícia da Flórida.
Sayoc ainda foi preso em 1999 por posse de um veículo roubado. Ele não era uma figura conhecida pelo serviço secreto, disseram várias fontes policiais à rede de TV. O suspeito é registrado no Partido Republicano. Ele se registrou pela primeira vez para votar na Flórida em 4 de março de 2016.
A televisão americana exibiu imagens do local da prisão em que a polícia apareceu apreendendo uma van cheia de adesivos, alguns deles retratando Donald Trump e Mike Pence.
O presidente Trump elogiou a rapidez das autoridades na captura do suspeito, e voltou a dizer que a violência política não deve ter lugar nos Estados Unidos.
Operação em Nova York
O pacote recuperado nesta sexta em Nova York foi achado em uma agência que fica no cruzamento da 8ª Avenida com a 52ª Rua, em Manhattan. A polícia retirou o objeto em segurança e disse que o pacote era similar com os anteriores.
A correspondência tinha o nome de James Clapper, ex-Diretor de Inteligência Nacional do governo Obama.
Em entrevista à CNN, Clapper afirmou que ele e a mulher não estavam em casa e que estão muito preocupados com os vizinhos, que estão tomando conta das suas correspondências. “Então, em certo sentido, é um alívio, mas não é uma surpresa. Isso é definitivamente terrorismo doméstico. Não há dúvida sobre isso em minha mente”, afirmou.
Esse foi o segundo pacote interceptado com o endereço da sede da CNN em Nova York. Na última quarta, o prédio em que ficam os estúdios da emissora, o Time Warner Center, foi esvaziado após a descoberta de um pacote-bomba com o nome de John Brennan, ex-diretor da CIA.
Os pacotes encontrados anteriormente foram endereçados para as seguintes pessoas:
Joe Biden, ex-vice-presidente do governo de Barack Obama (dois pacotes foram endereçados em seu nome); Robert De Niro, ator e produtor; Barack Obama, ex-presidente; Hillary Clinton, ex-secretária de Estado; John Brennan, ex-diretor da CIA, cujo nome estava em pacote mandado para a CNN; Eric Holder, ex-secretário de Justiça (o pacote não chegou ao seu endereço e retornou ao endereço de Debbie Wasserman-Schultz na Flórida); Maxine Waters, deputada democrata da Califórnia (dois pacotes foram enviados em seu nome); George Soros, investidor (caso ocorrido na segunda-feira).
Segundo o FBI, os pacotes têm dispositivos com potencial destrutivo, mas não especificou o conteúdo. Eles foram enviados para o laboratório da instituição em Quantico, na Virgínia.
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