Quarta-feira, 17 de junho de 2026

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Brasil Temer diz compartilhar da indignação do povo com lista de Fachin

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O presidente também é citado por delatores (Foto: Reprodução)

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse em entrevista à TV Bandeirantes na noite deste sábado (15), que a indignação da população com o número de políticos citados nas delações da Odebrechet – são mais de 100 -, e que serão alvo de inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, é legítima e que compartilha desse sentimento.

“Quando você vê uma lista com 200 nomes, e agora se alardeia que tem mais 200 nomes, você tem muita gente do Congresso, você tem ex-presidentes, você vê governadores, você tem uma multidão”, afirmou.  “A indignação é verdadeira, e eu compartilho essa indignação. Eu não faço uma crítica à indignação que a população sente, é mais que razoável. É legítima porque é quase, digamos assim, assustador”,  completou.

O peemedebista também é citado por delatores em dois episódios usados pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, nos pedidos de abertura de inquérito contra outros políticos, mas não pode ser investigado porque “possui imunidade temporária à persecução penal”. O artigo 86 da Constituição Federal descreve que “o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.

Na entrevista, Temer voltou a afirmar que participou de uma reunião com o ex-presidente da Odebrecht, Márcio Faria da Silva, em 2010. Disse que, na época, na condição de presidente do seu partido e já candidato à vice-presidência do País, o empresário estava interessado em fazer doações de campanha em nome da empreiteira ao PMDB. Por conta das doações, “ele (Márcio) queria cumprimentar o presidente do partido, no caso até o candidato à vice-presidência”, declarou Temer.

Segundo Temer, ao longo dos anos que atuou como presidente do PMDB teve muitos encontros com empresários que não envolviam negociações ilegais. Ele confirmou ainda que houve contribuição da construtora Odebrecht para as campanhas de 2010 e 2014, assim como de outras empresas, mas que todos foram de forma legal.

Para Temer, a revolta popular com a divulgação da lista de Fachin já era esperada, mas o País não pode parar. “A indignação é verdadeira, a população tem razão. Agora é preciso praticar gestos para superar, fazendo com que o Brasil vá para frente.”

Disse ainda, que apesar de sua baixa popularidade entre os eleitores, conta com um grande apoio do Congresso. Graças a isso, diz que garantiu aprovação de reformas que ele considera importantes para o futuro do país, como a PEC o teto dos gastos e a reforma do ensino médio,  “que estava parada a cerca de 20 anos”.

Ao ser questionado sobre sua relação com o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB) Temer afirmou que era uma relação “institucional”, por pertencerem ao mesmo partido. Ele negou, ainda, qualquer influência no pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo Temer, Cunha havia declarado que arquivaria todos os pedidos após parlamentares do PT afirmarem que votariam em favor dele no Conselho de Ética da Câmara. Garantiu, ainda, que na época, chegou a levar essa informação a Dilma, que teria ficado satisfeita com a notícia.

“No dia seguinte eu vejo no noticiário que o PT votaria contra Cunha. Ele então me ligou e disse que não arquivaria (os pedidos contra Dilma)”, revelou o atual presidente. “Se o PT votasse a favor de Cunha, talvez Dilma estivesse ainda no cargo”, completou.

Questionado sobre a permanência de ministros citados na Operação Lava Jato – oito deles apareceram nas delações dos executivos da Odebrecht – Temer afirmou que manterá a regra criada por ele: o magistrado segue no cargo até que a denúncia seja aceita pelo Ministério Público. Quando isso acontecer, o parlamentar será afastado temporariamente. Ao se tornar réu, aí sim será afastado definitivamente. (AG)

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