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Política É tensa a relação entre os ministros Paulo Guedes, da Economia, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional

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'Orçamento paralelo’ acirra ainda mais disputa entre Paulo Guedes e Rogério Marinho. (Foto: Jorge William)

A crise que envolve evidências de uma espécie de orçamento paralelo destinado a sedimentar o apoio ao governo Bolsonaro no Congresso aumentou a efervescência da já tensa relação entre os ministros Paulo Guedes, da Economia, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional (MDR).

Os embates nos bastidores inflamam as articulações para recriar a pasta do Planejamento, tirando a área ligada ao Orçamento das mãos do chefe da equipe econômica.

De um lado, reservadamente, Guedes diz que Marinho tem agido insistentemente para furar o teto de gastos, tramando, na sua visão, contra a agenda liberal do governo. Do outro, o titular do Desenvolvimento Regional defende nos bastidores que seja refundado o ministério do Planejamento para retomar o controle do Orçamento para o Executivo nas negociações com o Legislativo.

A interlocutores, Marinho atribui a Guedes a ideia de passar aos parlamentares o desenho da peça orçamentária, o que resultou em emendas bem acima do que a situação fiscal do país comporta.

Silêncio no Congresso

A revelação, na semana passada, do teor de ofícios pelos quais parlamentares indicavam como deveria ser gasta parte das emendas do relator — um mecanismo no qual o senador responsável por elaborar o Orçamento do ano indica livremente como quer gastar uma fatia expressiva da previsão de despesas livres para o ano — deu munição a Guedes.

Uma parte significativa do montante de R$ 20 bilhões em emendas do relator foi alocada no Ministério do Desenvolvimento Regional, de Marinho, sem que as indicações fossem transparentes.

Ao ver seu adversário exposto a críticas, Guedes passou a se manter estrategicamente distante da crise dessa espécie de orçamento paralelo. Na última terça-feira, quando participou de audiência pública sobre a reforma administrativa na Câmara dos Deputados, o ministro da Economia foi questionado diversas vezes por parlamentares da oposição sobre o episódio.

Embora tenha liderado a negociação do Orçamento com o relator Márcio Bittar (MDB-AC), habilidosamente Guedes sequer mencionou o assunto durante as quase quatro horas de reunião.

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro passou a receber uma série de reclamações relacionadas à disputa política entre Marinho e Guedes, que, na avaliação de alguns conselheiros presidenciais, tem prejudicado o governo. As queixas, segundo ministros, têm irritado o presidente, que disse recentemente estar “farto” dessa intriga.

Apesar disso, Bolsonaro repete ser grato a Guedes, apelidado de Posto Ipiranga durante a campanha, por ter sido o fiador junto ao mercado financeiro de sua candidatura ao Planalto ainda antes das eleições de 2018.

Ministros trabalharam juntos

A tensão entre Guedes e Marinho já vinha aumentando desde os vetos ao Orçamento deste ano, que destravaram o impasse em torno da aprovação.

Os cortes afetaram projetos da pasta do Desenvolvimento Regional, como o programa Minha Casa, Minha Vida, rebatizado de Casa Verde e Amarela, e obras de saneamento, sobretudo no Nordeste — uma vitrine para a campanha do presidente Jair Bolsonaro à reeleição em 2022 que Marinho se esforça em construir.

O corte de R$ 19,7 bilhões atingiu também outros ministérios, como Meio Ambiente, Agricultura e Defesa. Com informações de O Globo.

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