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Brasil Testes de soro para picadas múltiplas de abelha foram concluídos no Brasil

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(foto: Marcelo Casimiro Cavalcante/Rebipp)

O Brasil está se preparando para ser o primeiro país a produzir soro antiapílico – contra múltiplas picadas de abelhas. Os pesquisadores responsáveis querem apresentar ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os resultados positivos alcançados nos ensaios clínicos da primeira fase de testes que envolveram 20 pessoas mordidas por muitas abelhas.

Marcelo Abrahão Strauch, do Instituto Vital Brazil (IVB), e Rui Seabra Ferreira Júnior, do Centro de Estudos de Venenos de Animais Peçonhentos (Cevap) da Universidade Estadual Paulista são os pesquisadores que lideram o estudo.

A fase dos próximos testes serão iniciados após a aprovação do ministério e da Anvisa. Os resultados das pesquisas serão apresentados por Marcelo Abrahão Strauch no Congresso Mundial de Toxinologia, que será realizado na Argentina, em setembro. A primeira fase avaliou a segurança do medicamento, por se tratar de um produto novo. Após os ensaios da fase 3, os resultados serão novamente submetidos à Anvisa, para que o registro do produto possa ser efetuado.

Soro será aplicado em caso de envenenamento 

Ferreira Júnior esclareceu que o soro antiapílico será produzido pelo Instituto Vital Brazil, órgão do governo fluminense. De acordo com os pesquisadores, o soro deve ser aplicado quando a pessoa é vítima de um ataque de um enxame. Para casos de indivíduos alérgicos o tratamento é específico e abrangente a medicamentos comuns.

O antídoto brasileiro é inédito e há 45 produtores de soros para animais peçonhentos no mundo, mas nenhuma fabrica para envenenamento tóxico por abelhas . Rui Ferreira Júnior lembrou que as pesquisas contaram com a colaboração do Laboratório de Farmacologia das Toxinas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que realizou testes farmacológicos paralelos para avaliação do soro já produzido.

Acidentes

Segundo Strauch, a abelha faz parte do grupo dos animais peçonhentos, que se caracterizam por possuírem glândulas que produzem e secretam veneno.Picadas múltiplas podem gerar intoxicação Há casos de choque anafilático que podem levar o paciente à morte. A letalidade é alta por um ataque de múltiplas abelhas por causa da quantidade de veneno que o paciente recebe e não tem o antídoto.

A estimativa é que ocorra cerca de 10 mil acidentes de picadas de abelhas por ano no Brasil. Marcelo Strauch avaliou que o número pode ser muito maior, tendo em vista as subnotificações. O pesquisador afirmou que os acidentes por enxames de abelhas resultam em 40 óbitos notificados anualmente no Brasil.

O projeto contou ainda com apoio do Ministério da Saúde, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

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