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Saúde Transição de país jovem a idoso requer resposta do sistema de saúde

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Idoso se exercita em academia. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapres)

O Brasil vive uma revolução “silenciosa” com grande impacto em toda a sociedade: a revolução da longevidade.

Em 1950, a expectativa de vida do brasileiro andava por volta de 45 anos. Hoje ela chegou a 75 e as projeções indicam que antes de 2050 – quando a proporção dos que têm mais de 60 anos terá alcançado 30% – ela terá ultrapassado 80 anos. Seremos um Japão de hoje, o país mais envelhecido do mundo.

Uma transição tão rápida de um “país de jovens” a um longevo exige do setor saúde uma resposta radical, pois, sem saúde, o envelhecer deixa de ser uma conquista para virar um imenso problema. Não faz sentido!

A Organização Mundial da Saúde define o “envelhecimento ativo” como o processo de otimizar as oportunidades para saúde, educação continuada, participação e segurança de modo a promover a qualidade de vida à medida que envelhecemos. A definição pressupõe uma perspectiva de curso de vida.

O processo de envelhecer tem início até mesmo antes de nascermos. Quanto mais cedo começa-se a otimizar as oportunidades de saúde, mais preparados estamos para envelhecer bem. Está implícita a importância da prevenção.

Ao envelhecermos, as doenças crônicas passam a ter um peso crescente. Já hoje 75% das mortes no Brasil são causadas por tais doenças, que em grande parte podem ser prevenidas ou ao menos postergadas. Tais enfermidades não só matam como são responsáveis por grande carga de morbidade e incapacidade, com custos em espiral.

A chamada transição epidemiológica – as doenças agudas, sobretudo infecciosas, para as crônicas – já se fez. No entanto, continuamos priorizando modelos voltados para o agudo, tratando de doenças crônicas como se elas fossem episódicas.

É primordial desenvolver uma cultura do cuidado. Até porque ainda não sabemos o suficiente para a prevenção e o tratamento de doenças degenerativas altamente incapacitantes como, a doença de Alzheimer, e problemas osteomusculares cuja prevalência irá aumentar exponencialmente, pois o grupo de idade que mais cresce no Brasil hoje é o dos muito idosos, com mais de 80 anos.

Se o envelhecimento ativo interessa ao indivíduo, concerne também a quem presta serviços – e a quem, afinal, paga a conta, seja o setor público, seja o privado.

Medidas preventivas transcendem o setor da saúde. Os planos de saúde devem investir muito mais na prevenção, inclusive estimulando-a.

Urge também desenvolver um sistema que garanta um contínuo de cuidados: da promoção à saúde e prevenção aos cuidados primários, secundários e terciários. Do berço à sepultura, um sistema que nos atenda de modo holístico, com continuidade.

A experiência internacional mostra claramente que os sistemas de saúde mais preparados, exitosos e sustentáveis são os centrados em uma atenção primária à saúde.

A revolução da longevidade exige a adoção de tais modelos, não somente no setor público, mas também no privado. As empresas que mais eficazmente responderem a esses desafios sairão à frente. Afinal, há desafios, sim, mas também imensas oportunidades. (Alexandre Kalache/Folhapress)

tags: Saúde

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