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Saúde Tratamento com micróbios do intestino é testado contra a obesidade

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Regulação da absorção de nutrientes talvez ajude a explicar o misterioso elo entre a flora intestinal e a obesidade. Crédito: Reprodução

Se você está lutando contra uma infecção intestinal das bravas, que nenhum antibiótico parece capaz de domar, borrifar seu sistema digestivo com 300 gramas de fezes de outra pessoa não parece a mais brilhante das abordagens. A questão, porém, é que funciona.

A técnica, conhecida como bacterioterapia fecal, tem mostrado taxas de sucesso em torno de 90% quando é preciso enfrentar a presença da bactéria Clostridium difficile no intestino.

Há ainda outras doenças intestinais, bem como alguns problemas de saúde que não têm nada a ver com as tripas, que talvez possam se beneficiar do procedimento. O MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos) já conta faz alguns anos com o primeiro banco público de fezes para transplante do mundo.

A ideia de fazer transplantes de cocô é um dos exemplos mais inusitados de como o estudo do microbioma humano – ou seja, o ecossistema em miniatura formado pelas centenas de espécies de micro-organismos que habitam nosso corpo – pode ter repercussões terapêuticas inovadoras.

Além de simplesmente atacar os micróbios que causam doenças, pode ser que os tratamentos do futuro enfatizem a necessidade de devolver ao corpo os organismos unicelulares “do bem” que deveriam estar lá e, por algum motivo, foram desalojados.

Qualquer pessoa que já tenha precisado ingerir doses elevadas de antibióticos tem uma noção do que acontece quando esse equilíbrio é quebrado.

Os medicamentos não costumam distinguir entre bactérias benéficas e as que causam doenças. O intestino possui uma comunidade complexa de habitantes bacterianos, entre os quais estão micróbios que ajudam o organismo a absorver nutrientes importantes. Assim, o uso dos antibióticos, ao matar todos indiscriminadamente, pode desencadear vários dias de diarreia.

Além de facilitar o metabolismo humano, a diversidade de micróbios ajuda ainda a controlar a presença dos que causam doenças – com uma grande variedade de bactérias competindo por recursos, eles têm mais dificuldade de se multiplicar.

Os micróbios também “ensinam” ao sistema de defesa quando ele deve reagir e quando deve fazer vista grossa para células e substâncias que pareçam ser invasoras.

Absorção de nutrientes.

A competição saudável entre micro-organismos provavelmente está por trás do sucesso da bacterioterapia fecal no controle da Clostridium difficile. Por outro lado, a regulação da absorção de nutrientes talvez ajude a explicar o misterioso elo entre a flora intestinal e a obesidade, que tem sido estudado cada vez mais nas últimas décadas.

“Sabemos que uma dieta rica em gordura aumenta o peso corporal. Mas essa mesma dieta junto com o uso de antibióticos amplifica o efeito de ganho de peso, o que sugere que os micróbios também estão envolvidos no processo”, resume Maria Gloria Dominguez-Bello, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (EUA).

Saber exatamente qual é a composição da flora intestinal “magra”, portanto, poderia ser uma arma importante contra o ganho de peso. Por outro lado, há pesquisadores que acreditam que o transplante de fezes seria capaz de calibrar do jeito certo as defesas do organismo, evitando justamente as doenças nas quais o corpo se volta contra si mesmo. São os males autoimunes, lista que inclui, por exemplo, a diabetes, a esclerose múltipla e talvez o mal de Parkinson. Dados a esse respeito, porém, ainda são preliminares. (Folhapress)

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