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Tito Guarniere Tuítes

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(Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

Vira-Casaca

Sempre soube que Bolsonaro era torcedor do Palmeiras. Nesta decisão da Libertadores me surpreendi com ele bradando a palavra de ordem: “Agora, somos todos Flamengo”.

Nem quando ele declara o time que torce a gente pode acreditar.

Além de vira-casaca, pé-frio.

Liberdade de quem, cara-pálida?

Bolsonaro a sargentos da Aeronáutica: “Querem roubar nossa liberdade”.

Quem, cara-pálida? PSDB, PT e MDB passaram quase 30 anos no poder e nunca houve uma sombra de ameaça à nossa liberdade.

Depois da redemocratização, as ameaças à liberdade, à democracia vieram todas do governo Bolsonaro.

O cara

Sérgio Moro, juiz, acelerou todos os prazos para afastar Lula da disputa presidencial de 2018, quando era o favorito. Teve êxito. O grande beneficiário foi Jair Bolsonaro.

Depois, aceitou o cargo de Ministro da Justiça no governo, que, se não fosse por ele, provavelmente não teria existido.

É esse o cara?

A luz do mundo

A luz do mundo, segundo Dilma Rousseff (PT) vem da China, e ilumina a decadência e a escuridão das sociedades ocidentais.

Da China, o colosso totalitário – e talvez de alguns outros regimes absolutistas do Oriente Médio, como os Emirados Árabes, Bahrein, Qatar, que Bolsonaro visitou dias atrás.

Lendas urbanas

A decadência das sociedades ocidentais vem sendo apontada por profetas de fancaria há muito tempo. É prima-irmã da crise geral do capitalismo, que dá uns sinais tímidos, aqui e ali, e logo se recupera para retornar ao antigo esplendor.

A decadência das sociedades ocidentais, o colapso do capitalismo, são lendas urbanas, docemente cultivadas por certa esquerda. Mas é como Mark Twain reagia diante das notícias do seu falecimento: “As notícias sobre a minha morte são um tanto exageradas”.

Lula-Alckmin

A Chapa Lula-Alckmin parece muito forte, mas tem uma vulnerabilidade.

São dois políticos notórios, manjados, juntos já disputaram mais de dez eleições.

A chapa pode concentrar o sentimento antipolítico que ainda é forte em amplos setores do eleitorado brasileiro. Para Lula, é menos arriscado um vice neutro (um empresário de prestígio, um político honrado, mas não tão ostensivo, uma mulher).

Doria

Não consigo ver onde João Doria (PSDB) vai buscar votos. A estas alturas, com o mérito indiscutível de ter adiantado a vinda da vacina anti-Covid em pelo menos três meses e, portanto, salvado milhares de vidas, ainda assim, o ato competente e corajoso não lhe rendeu as simpatias esperadas – as pesquisas não detetaram.

Ele terá de encontrar seu caminho, definir os seus flancos vulneráveis, resolver a falta de carisma, nos próximos meses.

Tenho um palpite para as suas dificuldades: Doria é muito “Mauricinho”; e parece com aquelas estátuas de cera dos museus de madame Tussaud.

Vexame

O pastor bolsonarista Marcello Crivella não vai mais para a embaixada da África do Sul. Misturando interesses de Estado e de Igreja, Crivella estava indicado para resolver os rolos da Igreja Universal da África.

O vexame não rolou.

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