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Brasil Um diplomata brasileiro foi demitido após publicar textos críticos a seu chefe

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Paulo Roberto de Almeida não comentou os motivos de seu afastamento. (Foto: Reprodução)

O embaixador Paulo Roberto de Almeida foi demitido do cargo de diretor do Ipri (Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais), órgão vinculado ao Ministério das Relações Exteriores. Ele ocupava a função desde 2016, durante a gestão do presidente Michel Temer.

A demissão ocorreu após Almeida republicar, em seu blog pessoal, três textos sobre a crise na Venezuela, um assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, outro pelo embaixador e ex-ministro Rubens Ricupero e o terceiro pelo atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Araújo, em seu texto, critica as posições de FHC e Ricupero sobre a situação venezuelana, afirmando que os dois “escreviam seus artigos espezinhando aquilo que não conhecem, defendendo suas tradições inúteis de retórica vazia e desídia cúmplice”.

No dia 24 de fevereiro, o diplomata havia publicado um texto com críticas ao escritor Olavo de Carvalho, que indicou ao presidente Jair Bolsonaro nomes para compor o ministério do atual governo, incluindo o do próprio Ernesto Araújo. Segundo Almeida, a reprodução do material tem por objetivo estimular o debate sobre a política externa brasileira.

Dispensa

Almeida foi comunicado da dispensa por telefone pelo chefe de gabinete de Araújo, Pedro Wollny. De acordo com o Itamaraty, a mudança da diretoria do Ipri ocorreu “no contexto da troca da grande maioria das chefias do ministério das Relações Exteriores, já estava decidida e foi comunicada ao atual titular”.

Procurado, o embaixador não quis comentar os motivos da demissão. Resumiu-se à seguinte declaração: “O meu blog é um espaço de liberdade, de debate aberto e de interesse público. Aparentemente, terei de voltar à biblioteca do Itamaraty para poder trabalhar”, afirmou. Ele se referia, no caso, aos quase 14 anos de governos petistas em que afirma ter sido excluído de qualquer atividade no Ministério.

“Durante todo esse tempo de exílio involuntário, fiz da biblioteca do Itamaraty o meu escritório de trabalho, uma vez que não dispunha de nenhum outro local na Secretaria de Estado das Relações Exteriores”, acrescentou.

Retaliação

Rubens Ricupero vê na dispensa de Almeida um “ato confessadamente de repressão político-ideológica, de patrulhamento ideológico que lembra os momentos mais sombrios da ditadura militar, da qual o atual presidente é confessadamente admirador”.

Ainda conforme o ex-ministro, “aparentemente, não é debate que deseja a direção do Itamaraty, pois a simples republicação de artigos lhe inspira medidas repressivas. À luz desse fato concreto, qual é a autoridade moral que tem esse governo para denunciar a repressão do regime de Maduro?”.

Currículo

Paulo Roberto Almeida é diplomata desde 1977 e já serviu nas embaixadas de Paris e de Washington, entre outros postos de destaque. Em 1984, obteve o doutorado em Ciência Política pela Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica.

Fundado em 1987, o Ipri é um instituto voltado ao desenvolvimento e à divulgação de estudos e pesquisas sobre temas relativos às relações internacionais, à realização de cursos, seminários e conferências na área de relações internacionais, entre outras atividades.

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