Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de janeiro de 2018
O juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, é responsável pelos processos da Lava-Jato no Estado. Ele também defende a prisão pessoas condenadas em 2ª instância e é um otimista sobre o futuro do combate à corrupção no Brasil. Além disso, também se prepara para ameaças inerentes à profissão. Prova disso é que em dezembro chegou a publicar uma foto em que afirma ter realizado treinamento de tiro.
Embora não tenha sido específico sobre quais e de quem tem sofrido sucessivas ameaças, Bretas explicou nesta quinta-feira o motivo dessa publicação. Segundo ele, seria ingenuidade achar que nada poderia acontecer.
“Fiz um preparo técnico, num lugar oficial, com instrutores oficiais, não estava em horário de trabalho. Então, ali era o Marcelo Bretas. Eu estou preparado, mas não posso dizer que estava mandando recado a ninguém. Estou me preparando, não sou ingênuo de achar que nada vai me acontecer”, afirmou o magistrado.
A respeito das prisões em 2ª instância – medida que garantiu a prisões de réus já sentenciados na Lava-Jato – o magistrado enfatizou que alterar a regra significaria um retrocesso no combate à corrupção. Para Bretas, é preciso que a Justiça seja “temida”.
“Sem dúvida, seria uma derrota muito grande para o combate à corrupção como um todo. Porque a Justiça tem que ser temida. É necessário que haja esse temor, que as pessoas tenham medo. (…) As pessoas têm que ter o temor e considerar: “se eu fizer alguma coisa errada, eu posso ser condenado, eu posso ser preso, eu posso ser envergonhado”, considerou.
Entenda o caso
Em dezembro o juiz Marcelo Bretas postou uma foto no Twitter empunhando um fuzil, dizendo sentir-se ameaçado por investigados da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro. O juiz foi muito criticado na época.
No mês abril, Bretas pediu e obteve reforço em sua segurança pessoal após ter supostamente recebido três ameaças de morte. Duas delas teriam vindo de presídios onde se encontram investigados pela “Lava-Jato”.
Mas teria sido em fevereiro passado a gota d’água, com a ida de dois homens à Justiça Federal do Rio. Eles teriam feito diversas perguntas sobre a rotina do juiz aos funcionários do local.
O caso mais comentado, porém, foi em outubro, quando o ex-governador do Rio Sérgio Cabral mencionou que a família de Marcelo Bretas é dona de uma empresa de bijuterias. O magistrado repreendeu Cabral e chegou a determinar a transferência do político para um presídio federal.
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