Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de abril de 2019
O menino de 3 anos estava sozinho e chorando. No início da manhã de terça-feira (23), agentes da Patrulha da Fronteira na estação de Fort Brown, no Sul do Texas, nos Estados Unidos, encontraram o garoto em um milharal. Ele tinha seu nome e números de telefone escritos nos sapatos. Agentes acreditam que o garoto estivesse com um grupo maior de imigrantes, que fugiram quando a Patrulha da Fronteira se aproximou.
A criança sozinha não é um caso raro — mais de 8.900 menores desacompanhados foram detidos pela Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos em março, quase o dobro do número registrado em outubro.
Muitos eram adolescentes, mas há anos, crianças menores de 12 anos estão entre os imigrantes que fazem a travessia pela fronteira sul dos Estados Unidos sem seus pais ou outros parentes, muitas vezes viajando com grupos de estranhos. É uma saga angustiante e complexa: crianças de 3, 4 ou 5 anos são passadas de grupo para grupo por dias, muitas vezes acabam abandonadas nos desertos do Arizona ou na mata do sul do Texas.
Como o menino encontrado perto de Brownsville, Texas, esta semana, as crianças geralmente têm números de telefone de parentes nos Estados Unidos escritos em suas roupas ou em pedaços de papel que carregam nos bolsos.
— Esses casos podem ser devastadores por causa da idade das crianças e porque muitas vezes elas ficam muito confusas e assustadas com todo o processo — disse Lindsay Toczylowski, diretora-executiva do Centro Legal Defensor dos Imigrantes, em Los Angeles, que presta serviços jurídicos para menores desacompanhados.
Muitas vezes há um padrão similar na maneira como as crianças acabam sozinhas no ambiente caótico da fronteira sudoeste. Os pais fogem da pobreza e da violência em países como Honduras, Guatemala e El Salvador. Eles deixam um ou mais dos filhos para trás com parentes. Mais tarde, depois de se estabelecerem nos Estados Unidos, chamam os filhos, e essas crianças fazem a viagem com um parente ou com estranhos. Depois de cruzar a fronteira, as crianças são frequentemente abandonadas por contrabandistas e outros imigrantes que acreditam que elas serão resgatadas pela patrulha.
É uma aposta arriscada: os agentes salvaram, ao longo dos anos, vidas de crianças nessas situações.
Uma noite, em junho, na fronteira do Arizona, agentes da Patrulha da Fronteira descobriram um menino de 6 anos em uma estrada, em um momento em que a temperatura chegava a mais de 40 graus. O garoto abandonado era da Costa Rica e contou aos agentes que seu tio o deixara, dizendo que a patrulha o pegaria. O garoto disse que ia encontrar sua mãe nos Estados Unidos.
Em julho, agentes do setor da Patrulha da Fronteira no Vale do Rio Grande encontraram um menino de 8 anos, sozinho, em uma estrada. Os agentes só conseguiram descobrir seu nome e idade quando o registravam — ele só falava um dialeto regional que eles não entendiam.
“Recebemos crianças de 4 anos, de 3 anos que são abandonadas pelos contrabandistas e todos os outros e meio que deixadas para se virarem por si mesmas”, contou Jorge González, patrulheiro encarregado da Estação Brownsville da Patrulha de Fronteira, um veterano de 19 anos da agência.
Uma das agências que colocam as crianças em lares adotivos disse que um quarto dos casos com os quais trabalha se refere a crianças de 5 anos ou menos.
Menina de 2 anos
Em um caso, uma menina de 2 anos foi encontrada em um grupo de imigrantes em novembro, ao norte da fronteira, perto de Campo, na Califórnia. Ela não era parente de ninguém no grupo e estava presa ao peito de um adolescente de 17 anos, em um porta-bebê de pano improvisado.
A menina estava viajando com a mãe, que ficou cansada e perguntou se um dos outros migrantes poderia carregar a filha. O garoto de 17 anos concordou. Mas o grupo depois se separou e o adolescente não conseguiu localizar a mãe da menina e cruzou a fronteira para o lado americano com a garota ainda presa ao peito. Depois que foram detidos, a menina foi colocada sob custódia enquanto as autoridades tentavam reuni-la com a mãe.
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