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Geral Um terço dos brasileiros diz que faria uma cirurgia plástica caso fosse gratuita

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Estima-se que cerca de 6,2 milhões de pessoas já fizeram alguma intervenção plástica. (Foto: Reprodução)

Estima-se que cerca de 6,2 milhões de pessoas já fizeram alguma intervenção plástica e cerca de um terço demonstra interesse em realizar uma cirurgia plástica, caso fosse gratuita, sendo que 12% afirmam ter muito interesse. É o que mostram duas pesquisas realizadas pelo Datafolha a pedido da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que ainda revelam o perfil dos pacientes que já realizaram cirurgias plásticas no País.

O primeiro levantamento ouviu 2.086 brasileiros com 16 anos ou mais, de todas as classes econômicas e das cinco regiões do Brasil. Quatro por cento dos entrevistados afirmaram já ter realizado cirurgia plástica, porcentual que corresponde a uma projeção de cerca de 6,2 milhões de pessoas. Outros 26% conhecem alguém que já recorreu a um profissional não médico para esse tipo de procedimento, o equivalente a cerca de 43,2 milhões de brasileiros.

Entre aqueles que já fizeram cirurgia plástica, a proporção é ainda maior: 18% também já recorreram a um profissional não médico para um procedimento estético, ante 3% entre quem nunca fez cirurgia plástica. Entre os que fizeram ou conhecem alguém que fez esses procedimentos, os profissionais não médicos mais citados são dentistas (46%) e esteticistas (44%), seguidos por biomédicos (22%), enfermeiros (10%) e farmacêuticos (7%).

Entre aqueles que declararam ter passado por um procedimento estético ou reparador, 75% são mulheres, com a idade média de 52 anos. No recorte por cor e raça, 48% das pessoas que fizeram cirurgia plástica se declararam brancas; 32%, pardas; 18%, pretas e 2%, amarelas.

Cirurgião plástico e presidente da SBCP, Marcelo Sampaio afirma que, no caso das cirurgias plásticas estéticas, a porcentagem de mulheres alcança 88%. Segundo ele, as pacientes geralmente recorrem aos procedimentos entre os 36 e os 50 anos, período que costuma compreender mudanças ocasionadas por gestações e o surgimento de sinais do envelhecimento na perimenopausa e menopausa. “Após a gravidez, normalmente o abdômen não volta à posição de antes; a mama, com a lactação, fica mais flácida”, comenta Sampaio. Na avaliação dele, além da insatisfação com sinais de envelhecimento, a presença de pacientes de meia-idade também se relaciona à estabilidade financeira, que pode permitir a realização de uma cirurgia antes adiada.

O interesse pela cirurgia é significativamente maior entre as mulheres (41%, ante 22% entre os homens) e entre os mais escolarizados (43% com superior completo, ante 22% daqueles só com ensino fundamental). Entre as pessoas que já fizeram alguma cirurgia plástica o interesse também é maior: 56%.

Na segunda pesquisa conduzida pelo Datafolha, foram entrevistados 425 cirurgiões plásticos associados à SBCP em todas as regiões do País. A partir das informações obtidas com os profissionais, a pesquisa chegou a uma projeção de aproximadamente 1,56 milhão de cirurgias plásticas realizadas no Brasil em 2025.

As cirurgias de mama lideram entre as operações estéticas, representando 34% dos procedimentos. Em seguida, aparecem as cirurgias de contorno corporal (28%), grupo que inclui abdômen, lipoaspiração e gluteoplastia com prótese. Depois vêm as cirurgias de pálpebras, com 13%, seguidas pelas de face, com 11%, e por procedimentos envolvendo pacientes submetidos a tratamento contra obesidade. Conforme os médicos, considerando apenas as cirurgias estéticas de médio e grande porte feitas no ano passado, 88% das pacientes eram mulheres.

Sampaio afirma que, no passado, as mulheres representavam 90% dos pacientes, e o novo levantamento mostra o aumento da proporção masculina. “Existia aquilo de ‘cirurgia plástica é coisa de mulher’, até por estar relacionada a esses fatores hormonais e gravidez. Hoje, não.”

Outra mudança de perfil revelada pela pesquisa é a distribuição por tipo de município. A maioria dos pacientes (54%) vive no interior e 46% moram em regiões metropolitanas. Antes, havia uma concentração de procedimentos nos maiores centros urbanos. “Como aumentou muito a oferta de profissionais, temos uma espécie de interiorização”, avalia o especialista.

Ele também destaca a maior proporção de pacientes autodeclarados negros e o alto número de profissionais que afirmaram ter realizado tanto procedimentos estéticos quanto cirurgias reparadoras. Oito em cada dez cirurgiões realizaram operações reconstrutivas em 2025 – índice que chega a 94% nas Regiões Norte e Nordeste. “Existe hoje uma percepção clara de inclusão social de pessoas que no passado não tinham acesso, não só no aspecto financeiro, mas também de alcance em todo o País.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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