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Geral Uma em cada cinco crianças de 8 anos não sabe ler frases, diz Ministério da Educação

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Ministro da Educação, Renato Janine divulga os dados da Avaliação Nacional de Aprendizagem. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

A maioria dos estudantes do 3° ano do ensino fundamental – a idade (8 anos) em que termina o ciclo de alfabetização nas escolas – só consegue localizar informações “explícitas” em textos curtos. Mas uma em cada cinco crianças (22,21%) tem déficit ainda maior: elas só desenvolveram a capacidade de ler palavras isoladas, segundo dados da ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização) do ano passado, divulgados nessa quinta-feira pelo MEC (Ministério da Educação). De acordo com o resultado da avaliação, 56,17% dos alunos conseguem, no máximo, localizar uma informação explícita em textos mais compridos se ela estiver na primeira linha.

O estudo do MEC mede o conhecimento destes alunos em diferentes níveis de três áreas: leitura, escrita e matemática. A divulgação dos resultados é feita de acordo com o número de crianças em cada um desses níveis.
Em entrevista coletiva na tarde dessa quinta-feira, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, afirmou que o MEC trabalha com níveis de aprendizado adequado ou inadequado de maneira distinta em cada uma das três escalas. Segundo ele, na escala de leitura, é considerado inadequado apenas o nível 1, onde estão 22,21% das crianças. Em escrita, do nível 1 ao 3 os estudantes demonstram que não aprenderam o esperado. É o caso de 34,46% das crianças. Já em matemática, são considerados níveis insuficientes de aprendizado o 1 e o 2, onde estão 57,07% dos alunos avaliados na ANA.

O ministro minimizou o fato de o governo federal ter cancelado, em julho, a edição deste ano da avaliação. Ele negou que o cancelamento tenha sido motivado por falta de recursos. “A questão não é economia de recursos, mas que os dados só estariam disponíveis nessa época. A avaliação de 2015 seria feita sem a divulgação de 2014, então não daria tempo para formular as políticas públicas”, explicou.

Entenda o exame

A ANA, que começou a ser realizada em 2013, é feita com os estudantes em duas provas: na de língua portuguesa, há 17 questões de múltipla escolha e três de produção escrita. Na prova de matemática, são 20 questões de múltipla escolha.

No caso da leitura, os níveis vão de 1 a 4, e apenas 11,20% dos estudantes atingiram o nível mais alto (4). Mais de um quinto deles (22,21%) não passaram do nível 1, onde, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), as crianças são capazes apenas de ler palavras com sílabas canônicas (compostas de uma vogal e uma consoante) e não canônicas.

Outros 33,96% ficaram no nível 2 e conseguem, por exemplo, achar informações explícitas apenas em textos curtos, ou se elas estiverem na primeira linha de um texto maior. O MEC considera como exemplos de textos curtos piadas, poemas e quadrinhos, entre outros. Segundo a avaliação, textos mais extensos podem ser trechos de literatura, lendas, cantigas folclóricas ou poemas.

No nível 2, as crianças sabem reconhecer a finalidade de diferentes tipos de texto, como convite, receita, anúncio ou um bilhete, e entendem o sentido de piadas ou de histórias em quadrinhos que misturam a linguagem verbal e a não verbal.

No nível 3 estão 32,63% das crianças, diz a ANA. Nesse nível, o estudante é capaz de localizar informações explícitas no meio ou ao final de textos mais extensos, identificar onde está o pronome pessoal do caso reto em alguns textos, e fazer a relação entre causa e consequência de textos verbais ou de textos que usam linguagem verbal e não verbal. No nível 4, o mais alto, onde está a menor porcentagem das crianças, o estudante já deve ser capaz de reconhecer a relação de tempo em texto verbal e os participantes de um diálogo em uma entrevista ficcional, identificam outras estruturas sintáticas em textos curtos.

A escala de escrita na ANA tem cinco níveis – 1, 2 e 3 são considerados de aprendizado inadequado. Nele estão 34,46% dos estudantes avaliados. No nível 1 estão 11,64% dos estudantes. Isso significa, segundo o Inep, que elas “ainda não escrevem palavras alfabeticamente” e “provavelmente não escrevem o texto ou produzem textos ilegíveis”. A maioria das crianças de 8 anos avaliadas (55,66%) se encontra no nível 4 de escrita.

Matemática

Em matemática, praticamente um quarto das crianças avaliadas em 2014 (24,29%) atingiram o nível 1 na escala de alfabetização, e 32,78% delas ficaram no nível 2. Ambos os níveis são considerados inadequados.
Segundo o presidente do Inep, Chico Soares, há uma explicação mais complexa por trás dos resultados da prova de matemática. O desempenho dos estudantes, de acordo com ele, é impactado pelo nível de conhecimento do português, “porque os estudantes precisam interpretar aquele problema para transformá-lo em um cálculo, em um resultado”.

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